Opinião: 5 anos de crónicas e o que aprendi com elas…
Começámos (o Francisco, o Victor, e eu) este desafio de escrever um artigo de opinião preparando o nosso primeiro artigo para a edição de outubro de 2020, numa Aventura (com “A” maiúsculo) com algumas hesitações quanto ao que o público poderia esperar de nós.
Nos primeiros tempos, eu que sou uma pessoa ansiosa com o trabalho e inquieta com a exposição – sim, mesmo sendo professora e estando em todos os momentos exposta ao escrutínio dos meus estudantes, e não só – confesso que tive insónias.
Com o tempo, discretamente, foram chegando ecos do que estávamos a escrever e algumas sugestões, concordâncias e discordâncias e partilhas do nosso trabalho. Escrever é um exercício de paciência e resiliência, alicerçado em iterações e interações, até que fique minimamente interessante (pelo menos, é a aminha esperança e a dos que se dedicam a este “ofício”).
Pessoalmente, este desafio foi inspirado, principalmente, por 3 mentores, 2 professores da Licenciatura em Engenharia Informática e pela minha mãe: o Professor António Dias de Figueiredo, pela constante partilha e atividades de escrita de estudos relevantes na área de educação e tecnologia, aproveitando para o parabenizar pela inovação e ousadia do Projeto Minerva – que este mês comemora 40 anos – uma indicativa que trouxe os computadores à escola para nunca mais daí saírem e que modelou muito do que os professores mais recentes encontraram para trabalhar nas escolas; o Professor Henrique Madeira pelos seus textos não-académicos, que li ainda na era pré-blog, e que me pareceram genialmente interessantes, em particular pela proveniência ser de investigador em tecnologia; a minha mãe, que sempre me ensinou que a consistência e a entrega com responsabilidade com os compromissos que assumimos são fundamentais na nossa vida profissional.
Nestes 5 anos, depois de refletir sobre os temas e ter a “crónica na cabeça”, sentava-me e escrevia. Escrevi no meu escritório, na esplanada maravilhosa do bar da minha escola, em bibliotecas, no comboio, no autocarro, no aeroporto ou no avião, no restaurante, enfim, em qualquer sítio onde sentisse que tinha um tempo livre para acrescentar algo, voltar a ler, organizar as ideias, pesquisar mais um dado, complementar com um link, trazer uma novidade, captar a atenção. O jornalista José António Saraiva, do Expresso e do Sol, recentemente falecido, referiu sobre o processo de escrita, que escrever não era um exercício complicado, o que é complicado é tornar o texto simples e acessível a qualquer pessoa.
5 anos depois – e nesta crónica comemorativa – sinto-me feliz por ter aceite o desafio do Diretor deste Jornal, por ter saído da zona de conforto e arriscado, pela consistência na entrega de cada um dos mais de 60 textos que foram escritos com uma periodicidade regular e entregues à 4.ª feira, de 4 em 4 semanas, antes das 15:00. No fundo, o que ensino aos meus estudantes sobre trabalhar e aprender com base em projetos, é algo que fui aplicando aqui, todos os meses, nesta crónica. E, por falar nisso, são agora 14:49 e não vai ser ao final de 5 anos de crónicas que vou falhar um prazo! Espero que continuem a ler desse lado!
