Opinião- 2021, resumo de um ano… indefinido
O ano de 2021 aproxima-se a passos largos do seu fim. Por ser o ano que sucedia a um 2020 onde todos fomos “abanados” pela pandemia Covid-19, era certamente desejo de todos que 2021 pudesse ser o ano das soluções.
Soluções para todos os problemas que a pesada herança de 2020 nos deixou e se de uma lista de problemas se tratasse, muitos haveria a enumerar. Começo pela mais desejável de todas as soluções, a resolução da crise de saúde pública gerada pelo coronavírus, se possível fosse, com a sua extinção.
A recuperação económica e social mundial, com tudo o que lhe está inerente, vem certamente de seguida na lista de prioridades e arrisco-me a dizer que (para não abusar dos pedidos) mesmo com o aproximar do período natalício, estes dois pontos já seriam o bastante para a realização da maioria de nós.
Mas o que é que foi 2021 na realidade até ao momento? Efetivamente fica longe das tão desejáveis soluções. No que ao combate à pandemia diz respeito, reforçado pelo que está a acontecer a nível mundial nos últimos dias, a luta está para durar.
É inegável que houve avanços e que esses avanços foram a base para poder conceder alguma liberdade à economia no seu global, mas com imunidade resultante do processo da vacinação a ser ainda uma incógnita no que à sua duração diz respeito e com o surgimento de novas variantes, a certeza que temos é que a guarda tem que se manter elevada e que a guerra está longe de estar ganha.
Em termos económicos, é evidente que o processo de recuperação está em andamento e, por muito que a minha opinião possa estar condicionada por aquela que é a minha realidade, acho que é evidente e que é global. Apesar de global e de ter alguma robustez, julgo necessário dizer que é também uma recuperação económica sujeita a múltiplas e constantes ameaças. Os confinamentos, os preços “inaceitáveis”, a escassez de determinadas matérias-primas, os preços loucos das energias, etc.
Tudo isto fica bem evidente, no que à realidade portuguesa diz respeito, num documento que recomendo a todos que o possamos conhecer com um pouco mais de detalhe do que apenas os títulos dos jornais, ou os comentários dos nossos governantes. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou recentemente um relatório sobre Portugal (OECD Economic Surveys: Portugal 2021 ) que aborda, entre outras, estas problemáticas.
De forma orgulhosa, a nossa governação utilizou os dados que dele mais lhe interessavam para dar ênfase à sua capacidade de colocar o país a crescer acima da média da OCDE e da UE.
Entendo, mas acho insuficiente. É dito também o seguinte: “Uma recuperação resiliente, sustentável e inclusiva depende da capacidade de melhorar o acesso à saúde, apoiar as empresas e empregos viáveis, fazer a transição para tecnologias verdes, prevenir um aumento na pobreza e na exclusão social e lidar com o envelhecimento da população”.
E sabem na minha opinião o que é que todos estes pontos necessitam em comum? Vontade política de quem nos governa e, acima de tudo, horizontes bem definidos acompanhados de estabilidade.
Aplicar no País verdadeiras reformas e não a política do imediato por ter uma correspondência aparentemente mais imediata no voto. Precisamos de clara definição na política a seguir ou corremos o risco de 2022 e seguintes se caracterizarem por… indefinidos. E quanto a isto, muito em breve todos vamos ter uma palavra a dizer e a pior das definições será mesmo a indefinição.
A todos os leitores desejo um Santo e Feliz Natal e um próspero e “definido” 2022.

