O município deve comprar o Cabo Mondego?
Esta questão propõe várias linhas de reflexão que não se afiguram simples e nem despojadas de alguma componente emocional. Agora a questão posta tem para mim fácil resposta: sim, deve! Agora as questões “pode comprar?” o “comprar para quê?”, “quanto vai no final custar o investimento?” parecem-me de mais difícil resposta.
Estamos a falar de uma área que tem indubitável importância científica em várias dimensões e não falta quem considere, com razão, que os afloramentos jurássicos são um valor para o estudo e interpretação do que nos chegou ao fim de 170 milhões de anos.
Aqui chegados, mais uma vez, convém falarmos, para além de convicções, do investimento que é necessário para concretizar o projeto. A minha convicção é que perante a incapacidade demonstrada, até agora, por parte das autoridades nacionais de darem um “uso” capaz de honrar o Monumento Natural do Cabo Mondego e de todo património ali existente, se possa encontrar um meio para transformar um verdadeiro ativo com valor científico e paisagístico, em algo que combine património e turismo, podendo, também, valorizar uma atividade industrial com dois séculos.
A intervenção do município poderá ser uma garantia para concretizar uma vertente de oferta turística qualificada e assegurar que as entidades nacionais responsáveis desenvolvam interações com o património histórico, com os centros de investigação e com todas atividades que ali se possam estabelecer. Portanto, será necessário avaliar o projeto e garantir que o investimento não se torna um fardo para as gerações futuras.

