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Novas abordagens e olhares sobre a digitalização

10 de fevereiro de 2026 às 10 h16
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A revolução digital veio para ficar num mundo caraterizado por uma envolvente cada vez mais instável e repleta de surpresas e espantos. Na verdade, os jovens de hoje são a geração pioneira na história a apresentar um QI (coeficiente de inteligência) inferior aos seus pais.

Este alarme impulsionou a identificação dos aspetos negativos associados ao uso dos dispositivos digitais, pondo-se em dúvida, inclusivamente, se os pais conhecem os efeitos negativos do tempo excessivo passado pelos filhos em frente dos ecrãs digitais.

A resposta a esta questão é múltipla e de teor mais empírico do que cientifico. Sabe-se ademais que a indústria digital contrata especialistas para falaciar esta problemática de uma maneira tendenciosa. Com efeito, o consumo recreativo do digital tem, segundo os especialistas, um impulso negativo no que tange ao desenvolvimento das crianças e ao tipo de vida dos Geek’s e Nerd’s. Neste sentido, em alguns países estão a ser ensaiadas e experimentadas múltiplas medidas para proteger as crianças e os adolescentes dos instrumentos digitais.

Por outro lado, começam a ser estudadas e investigadas as doenças próprias dos nativos digitais, surgindo as expressões FOMO, JOMO e FOBO, que exprimem a angústia, a aflição e o stress de algumas pessoas, além de demonstrarem a necessidade permanente de nunca se afastarem das redes sociais. Estes indivíduos sentem insegurança quando vivem offline ao terem a sensação de que estão a perder algo, o que impulsiona sentimentos de inveja e de medo por se considerarem excluídos da vida virtual (FOMO). No que tange ao JOMO, assiste-se a uma vontade deliberada, seguindo a filosofia do Mindfulness, de estar offline. Enfatiza-se neste estado o momento presente.

Quanto ao FOBO, refere-se que é uma patologia alavancada pela era digital, que se caracteriza pelo receio de tomar decisões ao pretender-se entender integralmente todas as alternativas, situação que é suscetível de paralisar todo o processo decisório, e que está associado ao receio de selecionar a opção errada.

Confrontam-se as filosofias tecnológicas e de vida dos Geek’s e dos Nerd’s, taxonomias de seres humanos muito interessados nas tecnologias que frequentemente são consideradas como sinónimas, mas que envolvem rituais sociais diferenciados. De facto, os Nerd’s assumem atualmente na cibercultura uma posição vital na gestão do complexo internético mundial, onde aos batedores de superfície não é dada qualquer opção a não ser a de integrarem acriticamente as posições do mainstream.

No ambiente digital, o neurocientista francês Desmurget desmonta um conjunto de falácias digitais que, segundo ele, não passam de uma treta de propaganda dos medias, políticos, jornalistas e outros, demonstrando, ao mesmo tempo, que a conversão tardia ao digital não é uma questão de vida ou morte.

Observe-se ainda o ângulo marxista sobre a digitalização e transformação digital, sobretudo por desconstruir chavões frequentes da problemática digital, ao considerar, superficialmente, à semelhança de Marx, que os avanços tecnológicos já conseguidos só são viáveis nas relações sociais do comunismo.

Na verdade, esta abordagem enfatiza que a globalização tem viabilizado o nascimento de uma confiança transnacional, todavia, diversa da manifestada por multimilionários de visão finita, que única e exclusivamente se definem pelo valor liquido do património que detêm, e ainda pela reiterada expressão de que o processo digital veio para ficar, problemática a que Crary responde acentuando que “num contexto do aquecimento climático cada vez mais desequilibrado, ainda que comodamente dissimulado, é difícil assumir que alguma coisa seja imutável”.

Autoria de:

Marques de Almeida

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