Mulheres agricultoras alertam para risco de abandono forçado do campo
Obras devem estar concluídas no final deste ano | Foto DB-Ana Catarina Ferreira
A Associação das Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas (MARP) manifestou hoje “profunda preocupação” com o agravamento da crise alimentar em Portugal, alertando para um cenário de “abandono forçado” da atividade agrícola devido à falta de apoios eficazes e ao aumento brutal dos custos de produção.
Em comunicado enviado à imprensa, a organização, com sede em Coimbra e filiada na CNA, sublinha que os custos com energia, combustíveis, fertilizantes e rações atingiram níveis incomportáveis, enquanto os preços pagos aos produtores continuam “esmagados, muitas vezes abaixo do custo real”. Esta realidade, segundo a MARP, “não é um acaso”, mas sim a consequência de um modelo que favorece a grande distribuição e penaliza quem produz.
No terreno, a situação é descrita como “ainda mais grave”. Muitos pequenos e médios agricultores enfrentam dificuldades para garantir a continuidade da atividade, nomeadamente para semear e trabalhar a terra, devido à falta de meios financeiros. A associação alerta para o risco crescente de abandono da agricultura, com consequências como a concentração fundiária, o aumento das desigualdades no meio rural e impactos ambientais negativos, incluindo maior risco de incêndios e perda de biodiversidade.
A MARP considera também insuficientes os apoios públicos atualmente disponíveis, tanto face às recentes intempéries como às consequências da guerra nos mercados internacionais. Os apoios anunciados são classificados como “desajustados” e incapazes de responder à dimensão da crise.
Perante este cenário, a associação exige uma mudança imediata de políticas, defendendo a implementação de medidas como a garantia de preços justos à produção, o reforço significativo dos apoios diretos aos agricultores, o combate à especulação na cadeia alimentar e a adoção de políticas que valorizem a produção nacional.
“Agricultores e agricultoras não podem esperar mais. Sem agricultura familiar, não há alimento, território ou futuro”, conclui a MARP, apelando a uma intervenção urgente por parte do Governo.

