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Já vi disto, já vivi isto, não quero isso…nem isto!

29 de maio de 2026 às 10 h45

Portugal está a viver há muito tempo de uma enorme desconfiança para com a política. Não há ninguém no topo da política que não esteja sujeito a avaliação popular. Principalmente, quando há dúvidas quanto aos envolvidos e à sua acção. O que decidem, como decidem, quais as consequências das decisões.

As últimas notícias para a social democracia europeia são desastrosas. Cereja no topo do bolo, é a escandaleira que se passa em Espanha com José Luiz Zapatero que foi Presidente do PSOE e agora, o Partido Socialista nas bocas do mundo.

Ciclicamente “as coisas” vão acontecendo. O grave problema para a política, é quando o comum cidadão começa a olhar de soslaio para os decisores.
Quem foi eleito, quem são os amigalhaços, qual o diâmetro da bolha para não rebentar, quais os favores e por aí fora até ao limite do aceitável.

Em véspera de eleições internas, a investigação sobre o comportamento de eleitos do PS não poderia ter pior efeito. Nem sei mesmo se haverá condições de continuar com o processo, porque os eleitores poderão partir do princípio que os socialistas são todos iguais, o que não é, decisivamente, verdade!

Pior do que está a acontecer, foi a hipótese do PS denunciar um pacote laboral ultraliberal que coloca os trabalhadores – quem vende a sua força de trabalho – no centro dos problemas que existem em Portugal e não o ter conseguido fazer em tempo oportuno.

Poderia o Partido Socialista ter reagido há mais tempo ao projecto apresentado pelo governo, apresentando as alternativas e dúvidas que tinha sobre o documento? Claro que sim. O timing é fundamental e, quando se perde, tudo fica mais difícil e mais difuso!

Portugal tem um problema de baixa produtividade, o investimento é diminuto estando sempre a clamar por investimento estrangeiro, fraquíssimo investimento em tecnologia, escala empresarial reduzida e déficits importantes de qualificação.

Se atentarmos que os países da Europa Central e do Norte, dão uma grande importância à prática no que se ensina nos cursos profissionais, todos achamos muito estranho o baixíssimo investimento feito em Portugal. Mexer na massa é mais importante do que ter um curso superior, chegar às empresas e não perceber nada do trabalho que está a ser realizado. Passam rapidamente a aprendizes daqueles que foram estudar e fazer; “trabalho intelectual associado a trabalho manual”!

O Governo apresentou a reforma laboral como instrumento para aumentar salários, produtividade e competitividade, mas não há ligação causa/efeito.
Vínculos mais flexíveis não aumentam a competitividade.

A reforma laboral é também um ataque à economia global do país, não se tendo ainda percebido “em nome de quê”!

Quando se pretende construir um banco de horas até 50 semanais, quando se invoca como necessários contratos a termo muito mais longos, quando prevê despedimentos ilícitos sem retorno ao local de trabalho, quando não se quer respeitar o direito à parentalidade e, ao mesmo tempo, alguns clamam que o país está a ser invadido por cidadãos estrangeiros, precisamos saber, como vão os jovens constituir família, como vai a banca reagir à incapacidade dos jovens pagarem a prestação de uma casa ou de um automóvel, como vai o comum cidadão pagar as suas deslocações para o trabalho sem dinheiro para o combustível, como se vão alimentar as famílias e os jovens terem qualidade de vida.

Portugal precisa de políticos qualificados e não daqueles que só fazem ameaças – agarrem-me senão eu volto – identificando como um desastre os partidos tradicionais e invocando a necessidade de um novo partido político para “pôr tudo na ordem”!

Já vi disto, já vivi isto, não quero isso…nem isto!

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