Há uma Legião (cheia de) Boa Vontade para ajudar em Coimbra
Tida Fati é natural da Guiné-Bissau. Com 48 anos, já mora em Portugal há mais de duas décadas. Mãe de dois filhos – um com 24 e outro com 20 anos (este último já nascido em Portugal) –, a senhora encontra-se divorciada do marido há alguns anos. Trabalhadora nas limpezas, Tida Fati viu-se nessa altura confrontada com as primeiras dificuldades financeiras. “Menos um ordenado a entrar em casa e sem poder recorrer a mais ninguém, tive de pedir apoio à Legião da Boa Vontade (LBV)”, afirmou ao DIÁRIO AS BEIRAS.
A situação piorou quando a pandemia reduziu o número de trabalhos, o que levou a que este apoio da LBV se tornasse ainda mais importante. “O meu filho mais velho saiu de casa e está a viver sozinho. O mais novo já tem um part-time, mas o dinheiro que entra em casa não chega para todas as despesas”, continuou a explicar.
Ontem à tarde, altura em que o DIÁRIO AS BEIRAS esteve na delegação de Coimbra da LBV, Tida Fati vinha recolher o seu kit de higiene e limpeza (álcool gel, máscaras, lixívia e gel de banho) e o cabaz de natal (arroz, feijão, óleo, massa, açúcar, leite, azeite, farinha, batatas, salsichas, atum e um bolo rei). Os seus olhos não esconderam a satisfação por mais um apoio da LBV, o qual vai “tornar menos doloroso o nosso Natal”.
Cabe a Maria José Pereira, responsável pelo núcleo de Coimbra da LBV, ajudar esta beneficiária a levar os dois sacos para o exterior do edifício. De colete amarelo vestido com as letras LBV em cor azul estampadas, a responsável afirmou ao DIÁRIO AS BEIRAS que a instituição vai entregar até ao final da semana 70 cabazes – uma média de 14 por dia e em horários diferentes – às famílias que vão apoiar nesta altura do ano. “São todos agregados do concelho de Coimbra, a maior parte das freguesias de Eiras, Santa Cruz, Santa Clara e Trouxemil”, afirmou.
As médias de idades das famílias apoiadas andam entre os 30 e os 40 anos. O pedido de ajuda surge depois de terem perdido os seus postos de trabalho devido à pandemia de covid-19. “Há também pessoas mais velhas cuja reforma é baixa ou estão a ajudar os seus filhos que também viram reduzidos os rendimentos”, disse Maria José Pereira.
A assistente social Vera Ferreira é a responsável pela triagem dos apoios. Este ano, a LBV de Coimbra conseguiu responder às solicitações, mas “durante o ano, não conseguimos manter o mesmo nível de apoio”. “Os cabazes são entregues apenas em alturas festivas. No resto do ano, só apoiamos quando somos confrontados com situações muito graves”, explicou.
Todos os produtos entregues até ao final da semana resultam de ações de recolha de alimentos promovidos pela LBV, de donativos obtidos junto de ações de telemarketing e “do apoio de empresas e populares”. “Os brinquedos que temos para oferecer a 55 crianças entre os três e os 12 anos são o exemplo”, concluiu.


