Há políticos e estadistas
O político preocupa-se com a próxima eleição, o Estadista preocupa-se com a próxima geração.
Faz toda a diferença.
Pouco me preocupa a crítica que vou ser alvo de alguns, mas também os elogios que me poderão fazer, pelas considerações que a seguir traduzo em escrita.
Só a desgraça que foram os políticos da I República, é que poderia abrir as portas à ditadura mais longa, o Estado Novo.
Entrou em colapso devido à enorme instabilidade política, à gravíssima crise económica, culminando com a revolta das forças armadas.
António de Oliveira Salazar, de má memória, surge como salvador da Pátria, o que não se veio a demonstrar, até porque, o seu sucessor, foi um mau Presidente do Conselho de Ministros, embora um excelente Professor de Direito, acolitado pela ala dura do Estado Novo, com Silva Cunha e Baltazar Rebelo de Sousa a servir-lhe de amparo.
Outros, mais liberais, tivessem tomado o poder e Portugal seria hoje, ainda mais respeitado e menos pobre. Mas, como se costuma dizer, o que lá vai…lá vai!
O Professor Salazar foi o primeiro Estadista de Portugal. Por vários, bons e maus motivos. Teve uma ideia para o país, embora o seu percurso político nos tenha feito atrasar irremediavelmente.
Então, porque afirmo que foi um Estadista? Porque naquela altura histórica, ele tinha a noção exacta que Portugal sem as colónias, por pequeno e improdutivo, poderia não sobreviver como Nação independente.
Claro que a sua governação foi medíocre, até porque quando em todo o mundo se estavam a dar as grandes reformas industriais, ele continuou ligado à terra, à agricultura, não abrindo Portugal aos ventos de mudança para não perder o poder. Foi um ditador, sem dúvida, porque o medo dele se apoderou. Mas tinha uma ideia para o futuro e as novas gerações, que não conseguiu traduzir em políticas “férteis”!
Outro Estadista foi Mário Soares.
A seguir ao 25 de Abril e com a descolonização, Mário Soares percebeu que sem o apoio das colónias, Portugal iria perder todo o seu poder internacional, porque iria ficar confinado ao seu pequeno território. Sem o apoio das “províncias ultramarinas” de onde provinha muito do que se consumia em Portugal sem despender divisas.
Percebendo a crise instalada, quase de imediato, ele não tinha total confiança nas forças armadas, e bem, como se veio a demonstrar mais tarde, em que uma qualquer instabilidade que nos levaria a uma outra ditadura.
Quando lança a proposta de “A EUROPA CONNOSCO”, para a nossa adesão rápida à antiga CEE, agora União Europeia, foi porque percebeu que o nosso futuro colectivo estava na Europa e não em África. Porque percebeu também e em boa hora, que as colónias se iam afastar de Portugal.
Mas convenhamos, Portugal teve muitos azares no seu percurso democrático, no que se refere ao PS e PSD, pelo desaparecimento precoce de políticos que poderiam, em conjunto, traçar as bases para um país diferente, para melhor.
Falo de Francisco Sá Carneiro, Mota Pinto, Francisco Lucas Pires, todos eles de pensamento à minha direita, Jorge Sampaio eleito Presidente da República, e Álvaro Cunhal à minha esquerda, que não deixaram de ser homens de grande carácter e pensamento lúcido.
É preciso alguém escrever, para informaras novas gerações, das diferenças de “então” para agora!
Em síntese, Portugal precisa urgentemente de um líder, um ESTADISTA, dos partidos democráticos, para dar um novo impulso a Portugal.
Será que ainda não nasceu? Se assim for, “vamos passar um mau bocado”, porque a qualidade dos nossos políticos “deixa muito a desejar”!
