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Formar padres felizes

10 de novembro de 2025 às 11 h37
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Nem sempre é fácil encontrar um padre feliz. As pessoas felizes começam a ser uma espécie rara. É mais comum encontrar pessoas cansadas, tristes, com má cara, sempre a queixar-se e a reclamar… e entre padres nem sempre é diferente.

O Papa Leão XIV, a 26 de junho deste ano, fez um discurso, que vale a pena retomar, no Encontro Internacional em Roma, intitulado – Sacerdotes felizes – ‘Chamei-vos amigos’ (jo 15,15). Não deixa de ser curioso (e é um sinal) a necessidade de juntar a palavra felizes a Sacerdotes.

Nesse discurso, o Papa começa por dizer: “queremos testemunhar juntos que é possível ser sacerdotes felizes, porque Cristo nos chamou. Cristo fez de nós seus amigos (cf. Jo 15, 15): é uma graça que queremos acolher com gratidão e responsabilidade”.
Mas de que felicidade estamos a falar? Esta felicidade é feita de quê e de quem?

Esta felicidade não tem a medida dos nossos interesses pessoais, nem das nossas ambições…, mas é à maneira do evangelho, especialmente das Bem-Aventurança – “Carta Constitucional do Cristianismo” (Frei Fernando Ventura).

A palavra “Bem-aventurado” vem da palavra grega ‘makarioi’ (traduzida em latim por ‘beati’) quer dizer «feliz». Assim, percebemos que Jesus nos fala (me fala) do caminho da felicidade, que as suas propostas são de realização, de mais vida.
De facto, a nossa felicidade não está no nosso poder, no dinheiro que temos, na roupa que vestimos, no lugar que ocupamos, no carro que conduzimos… Somos felizes quando temos espírito de desprendimento (não miseráveis); quando manifestamos os nossos sentimentos, quando choramos, quando não somos indiferentes; quando somos humildes e acolhemos; quando não nos acomodamos e lutamos pela justiça; quando somos misericordiosos e compassivos; quando somos transparentes e puros de coração; quando recusamos a violência e promovemos a paz; quando não desistimos da missão apesar das calunias, das indiferenças e até da perseguição.

A nossa felicidade não está em nós, mas no serviço; não está na posse, mas na relação; não está na quantidade de dinheiro, mas no modo como gerimos o dinheiro que temos… ‘A felicidade está mais em dar do que em receber’ (At 20,35b).

No Evangelho, Jesus diz aos discípulos na Última Ceia: “Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também. (…) Uma vez que sabeis isto, sereis felizes se o puserdes em prática” (Jo 13,14-15.17).

Há ainda muito sentar-se à mesa e esperar ser servido e pouco lavar os pés.

Autoria de:

Nuno Santos

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