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Estudo liderado por Coimbra revela novos dados sobre reorganização cerebral de surdos

04 de março de 2026 às 10 h40
DR

Um estudo liderado por cientistas da Universidade de Coimbra (UC), hoje divulgado, revelou novos dados sobre reorganização cerebral em pessoas surdas desde o nascimento que poderão “ajudar a refinar dispositivos de alta tecnologia”, como os implantes cocleares.

A UC avançou que o estudo, publicado na revista Human Brain Mapping, abre novas linhas de investigação sobre como o cérebro processa informação sensorial na ausência de um sentido, ao sugerir que as respostas de redução da atividade do cérebro também desempenham um papel ativo neste processamento.

“As novas pistas lançadas pelo estudo podem ajudar a refinar dispositivos de alta tecnologia que são usados para restaurar a audição, como os implantes cocleares”

Pode ler mais informação na edição impressa e digital de amanhã (05/03/2026) do DIÁRIO AS BEIRAS

2 Comentários

  1. A reorganização cerebral existe, mas a falta de estimulação auditiva também pode trazer dificuldades. Tive uma experiência durante a pandemia em que fiquei algum tempo sem usar o implante coclear por avaria e senti claramente perda de treino auditivo. Depois tornou-se mais cansativo ouvir e mais fácil distrair-me. Por isso acredito que o cérebro se adapta, mas também precisa de estimulação constante.

    Muitas vezes os estudos parecem contradizer a experiência real de quem usa implantes cocleares ou aparelhos auditivos por algumas razões.

    Primeiro, muitos estudos analisam grupos de pessoas e procuram tendências gerais. Mas cada cérebro e cada história auditiva são diferentes. A experiência individual pode não coincidir exatamente com a média do estudo.

    Segundo, alguns estudos focam-se sobretudo na plasticidade cerebral — ou seja, na capacidade do cérebro se reorganizar quando falta audição. Isso é verdade, mas essa reorganização também pode ter efeitos negativos, porque as áreas auditivas deixam de ser estimuladas como antes.

    Terceiro, muitos estudos analisam pessoas com surdez desde cedo ou de longa duração, o que é diferente da experiência de quem já teve audição e depois passou a usar implante. O cérebro dessas pessoas já estava habituado a processar som de outra forma.

    Por último, os estudos nem sempre captam o esforço cognitivo que muitas pessoas sentem no dia-a-dia ao ouvir. Mesmo que o cérebro se adapte, ouvir pode exigir mais concentração, causar mais cansaço e facilitar distrações.

    Por isso, a investigação científica é importante, mas a experiência real das pessoas também é um dado relevante para compreender melhor como o cérebro reage à perda de audição e ao uso de implantes.

  2. Exms. Srs.

    A reorganização cerebral existe, mas a falta de estimulação auditiva também pode trazer dificuldades. Tive uma experiência durante a pandemia em que fiquei algum tempo sem usar o implante coclear por avaria e senti claramente perda de treino auditivo. Depois tornou-se mais cansativo ouvir e mais fácil distrair-me. Por isso acredito que o cérebro se adapta, mas também precisa de estimulação constante.

    Muitas vezes os estudos parecem contradizer a experiência real de quem usa implantes cocleares ou aparelhos auditivos por algumas razões.

    Primeiro, muitos estudos analisam grupos de pessoas e procuram tendências gerais. Mas cada cérebro e cada história auditiva são diferentes. A experiência individual pode não coincidir exatamente com a média do estudo.

    Segundo, alguns estudos focam-se sobretudo na plasticidade cerebral — ou seja, na capacidade do cérebro se reorganizar quando falta audição. Isso é verdade, mas essa reorganização também pode ter efeitos negativos, porque as áreas auditivas deixam de ser estimuladas como antes.

    Terceiro, muitos estudos analisam pessoas com surdez desde cedo ou de longa duração, o que é diferente da experiência de quem já teve audição e depois passou a usar implante. O cérebro dessas pessoas já estava habituado a processar som de outra forma.

    Por último, os estudos nem sempre captam o esforço cognitivo que muitas pessoas sentem no dia-a-dia ao ouvir. Mesmo que o cérebro se adapte, ouvir pode exigir mais concentração, causar mais cansaço e facilitar distrações.

    Por isso, a investigação científica é importante, mas a experiência real das pessoas também é um dado relevante para compreender melhor como o cérebro reage à perda de audição e ao uso de implantes.

    Melhores cumprimentos e agradeço publicação digital e em papel.

    A. Ricardo Miranda

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