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Cultura e valores digitais

05 de maio de 2026 às 10 h45

A literacia, a cultura, a ética, o apartheid e darwinismo digitais, são singularidades binárias que só interessam primordialmente às pessoas inseridas no mundo digital. De facto, o empreendedorismo digital desenvolveu-se velozmente, criou valor e unicórnios no novo tecnológico, ou seja, mais adequadamente nos territórios digitais.

 

Sabe-se, ainda que, as grandes empresas de tecnologia configuram monopólios digitais, e por isso veículam valores e pontos de vista para todos os territórios do planeta. É indispensável nesta envolvente colocar em prática uma internet que desenvolva oportunidades digitais e compreenda as pessoas que “estão fora da bolha”, ou seja, fora do sistema digital. Neste sentido, a literacia digital é cada vez mais importante no mundo, sabendo que a tecnologia tem uma função preponderante nas múltiplas áreas da vida, desde o trabalho até à educação, passando pelo lazer e comunicações.

 

A literacia digital significa alfabetização digital. No entanto, um número significativo de pessoas no mundo ainda não tem acesso aos benefícios da sociedade digital, o que se traduz em apartheid digital. Acresce que, mesmo aqueles que utilizam a internet, uma grande parte apresenta graves lacunas ao nível da literacia digital. A Deco (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor) realizou, em 2019, um estudo que concluiu que 60% dos inquiridos não sabiam como identificar noticias falsas na Internet. Em estudo similar, a Universidade Nova de Lisboa (2020) constatou que cerca de metade dos portugueses não tem habilidades nem saber para utilizar as ferramentas básicas de segurança online (antivírus e firewalls).

 

Esta situação é esclarecedora e demonstrativa de que Portugal ainda não garante a todos os cidadãos as competências necessárias para se movimentarem no mundo digital, de forma segura e eficiente.

 

A cultura digital, por sua vez, abarca os valores, conhecimentos, práticas e comportamentos associados às tecnologias digitais, abrangendo não só o uso de dispositivos eletrónicos, mas também as habilidades necessárias para entender informações e participar ativamente na sociedade digital. A cultura digital e literacia digital fertilizam-se mutuamente, mas a cultura digital é uma forma mais vasta de relacionamento com o mundo por meio das tecnologias digitais. Aquela eleva e capacita os indivíduos a desenvolverem um pensamento critico, o que implica serem sujeitos ativos na construção de uma sociedade digital mais democrática e inclusiva.

 

Ter cultura digital implica ainda adotar as boas práticas de cidadania digital (gentileza, atenção, partilha, cuidado, respeito pelos direitos, e colaborar na construção de um ambiente ético e inclusivo para todos). Na realidade, o mundo digital está a impactar nos pensamentos e nas perceções das pessoas, e assim sendo exige discursos sobre aspetos éticos. A ética, no mundo digital, abarca a dignidade, a segurança, a privacidade e outros valores inerentes ao ambiente digital. Neste sentido, é de transcendente importância ter consciência dos efeitos das ações, o que significa utilizar a internet com segurança e responsabilidade, o que significa conhecimento dos efeitos dos atos digitais. É importante ainda interpretar o darwinismo digital, que exige às organizações uma notável habilidade para se adaptarem às mudanças para não se tornarem irrelevantes.

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