A Figueira lucraria com a regionalização?
Na minha opinião de regionalista convicto, a Figueira da Foz e o país teriam muito a ganhar com uma regionalização.
Em 1998, o processo de referendo à regionalização nasceu com erros graves que ainda hoje persistem. A base do processo de regionalização deveria ter tido como ponto de partida as cinco regiões plano (Norte, Centro, Grande Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve), definindo competências e um caderno de encargos concreto para o processo. Entretivemo-nos a discutir um mapa absurdo e não cuidámos do essencial.
A regionalização não trata de criar uma nova classe política regional, mas sim de desenhar um país com uma estrutura Para-autárquica, mais densa e mais influente no desenvolvimento integrado do país. Neste contexto, as autarquias deveriam ter um papel decisivo, não deixando ao livre arbítrio do poder central as definições dos eixos de desenvolvimento regional. O poder central napoleónico gosta de dividir para reinar. O poder da Europa das Regiões agrega desafios, oportunidades e progresso, definido por aqueles que no terreno conhecem bem as realidades locais e regionais.
Um país que concentra na sua faixa litoral mais de 80% da sua população corre o sério risco de rapidamente se afundar no Atlântico!
Poderemos nós dar-nos ao luxo de deixar ao abandono mais de 80% do território nacional, cada vez mais pobre, despovoado e desertificado? Talvez a pergunta que se impõe não seja o que lucraria a Figueira com a regionalização, talvez melhor: o que perde a Figueira da Foz e o país por não haver uma regionalização?
