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Construindo realidades

20 de março de 2026 às 08 h30

O paradigma que tem associado o empacotamento, a codificação, a obsessão das instituições e das leis reguladoras, por vez de uma avaliação de resultados, trouxe a cada acto médico uma criação de lixo, quer em plásticos e cartão, quer em informática. É também este um caminho com os dias contados. Kenneth White em Le Plateau de L’Álbatroz de 2018 elabora um precioso discurso de como o homem dono da natureza (cartesiano) tem de ser substituído pelo homem integrado na natureza e que portanto reduz a pegada ecológica (mede a superfície necessária para produzir os recursos consumidos pela população, bem como, para absorver os desperdícios que produz.)
O novo serviço de saúde, tem de reutilizar, tem de reduzir o lixo – afinal o desperdício, tem de reciclar, abandonando a imposição das exigências dos políticos actuais, em prol de uma indústria gananciosa e de uma economia de favores e de construção de verdades, que a todos nos enganam. Tenho referido muitas vezes Clément Rosset a propósito da política que constrói discursos que nos dão uma visão falsa da realidade, para projectar um desígnio desnecessário, com um fim lucrativo algures.
Isto tudo se aplica aos supermercados e às políticas de empacotar fruta, vegetais, por vezes com folhas duplas e caixa envolvente. O mundo do desperdício é uma sequência embaraçosa para quem se preocupe e perceba os silêncios de partidos ditos verdes. As datas de aconselhamento para consumo, os prazos ditatoriais sobre produtos como mel, sal, açúcar e muitas latas de conserva são outras ideologias anti pegada ecológica.
A par deste pântano que é legislar para fazer lixo que destrói madeiras, produzir plásticos que consomem petróleo e regressam à natureza de forma contundente, existe agora a zona de objectos para Pets que inunda os supermercados onde a inutilidade começa a ultrapassar o essencial. Prateleiras de objectos, comida, roupa de humanização animal são um triste tempo da humanidade. Os homens animalizam-se e permitem a barbarie entre si, ao mesmo tempo que humanizam o cão, o rato, o gato, e o coelho.
Interessante como a pegada ecológica, o cadastro desta ofensiva vai nas pastas dos que apregoam natureza.
O contraditório, a falta de coerência é sentido crítico esfumam -se. O vapor é de erupção mas não notam e não previnem.

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