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Congresso em Coimbra quer dar visibilidade à obra de Camilo Pessanha

07 de maio de 2026 às 11 h37
Congresso vai decorrer na Faculdade de Letras e no Colégio da Trindade | Fotografia: Arquivo

Coimbra acolhe na próxima semana um congresso internacional dedicado à obra do escritor Camilo Pessanha, inserido num conjunto de atividades que, até novembro, pretendem assinalar o centenário da sua morte.

O colóquio internacional “’Pairo na luz, suspenso…’. Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926)” decorre entre 11 e 12 de maio, no Colégio da Trindade e na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).

“O que se pretende, principalmente, é dar visibilidade à obra de Camilo Pessanha”, disse à Lusa o investigador António Apolinário Lourenço.

 

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Segundo o professor aposentado da FLUC, um dos organizadores do programa dos 100 anos da morte do escritor, Camilo Pessanha “é um dos poetas portugueses mais importantes”, que, “nos últimos anos, desapareceu”, não sendo hoje uma obra lecionada no ensino secundário.

“Acho que perdeu centralidade, que é uma coisa bastante absurda, porque não se consegue entender o desenvolvimento da poesia portuguesa sem o Camilo Pessanha”, afirmou.

No entender do investigador, devido à forma como se fazem os programas do ensino, “deixou de haver espaço” para Pessanha, tendo como consequência a perda dos “elos de ligação, de não se perceber como é que se passa de Antero de Quental, por exemplo, para Fernando Pessoa”.

No congresso estarão presentes, entre outros, Paulo Franchetti e Carlos Morais José, responsáveis por edições críticas de “Clepsidra”, Daniel Pires, o principal biógrafo do escritor, e Gustavo Rubim, que dedicou a Pessanha a sua tese de doutoramento.

A 11 de maio será ainda inaugurada uma exposição bibliográfica da obra de Camilo Pessanha, na sala do catálogo da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

No âmbito do centenário da morte do escritor, estará patente, de 16 de julho a 30 de setembro, a mostra de fotografias “Imagens de Coimbra na época de Camilo Pessanha (1867-1926)”, com curadoria de Alexandre Ramires, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra.

O Centro Comercial Alma Shopping irá também acolher, a 07 de setembro, uma exposição sobre o poeta, estando ainda prevista, no Museu Nacional Machado de Castro, uma mostra de peças da coleção de arte chinesa que Camilo Pessanha legou ao Estado português e que ali se encontram depositadas.

O programa comemorativo inclui ainda outras palestras, publicações e momentos musicais, estando prevista a edição de um volume antológico, com 26 poemas inéditos de autores portugueses dedicados a Pessanha e uma seleção de 26 textos do homenageado.

O programa encerrará com o recital “Eu vi a luz em um país perdido”, previsto para final de novembro, na Igreja do Convento São Francisco, para celebrar a poesia de Camilo Pessanha, num trabalho original do pianista Filipe Raposo, acompanhado pelo Art’Amoris Ensemble.

Camilo Pessanha nasceu em Coimbra, em 1867, tendo vivido cerca de 30 anos em Macau, onde foi professor, advogado, juiz e conservador do Registo Predial. Morreu em 01 de março de 1926 em Macau e ficou sepultado na cidade.

Pessanha publicou apenas o livro “Clepsidra”, em 1920, nas Edições Lusitânia, de Ana de Castro Osório, pela qual o escritor nutriu uma paixão não correspondida.

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