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Coimbra: vitalidade empresarial, desafios estruturais

18 de novembro de 2025 às 12 h09
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O concelho de Coimbra apresenta um tecido empresarial numeroso e em expansão, refletindo a sua vitalidade económica e elevada capacidade empreendedora. Em 2023, contava com 22.812 empresas, com tendência consistente de crescimento (+5% face a 2022 e +12% relativamente a 2021) e, no período 2021-2024, registou um saldo positivo de 1318 entre empresas constituídas e dissolvidas.

Apesar desta dinâmica, a estrutura produtiva apresenta fragilidades significativas. Cerca de 97% das empresas têm menos de 10 trabalhadores e 98% registam volume de negócios inferior a 1 milhão de euros (M€), existindo apenas 16 grandes empresas, com mais de 250 colaboradores e faturação superior a 50 M€. Este predomínio de microempresas, em linha com o padrão nacional, torna o concelho bastante vulnerável ao impacto de “choques” externos, limitando a sua capacidade de investimento, inovação e competição nos exigentes merca dos globais.

A economia de Coimbra é também fortemente terciarizada: cerca de 89% das empresas pertencem ao setor dos serviços, com destaque para a Educação e a Saúde, apoiadas na excelência das suas instituições de ensino superior (com mais de 40 mil alunos e 8500 diplomados anualmente) e do setor hospitalar local. Neste contexto, os Transportes e Armazenagem têm crescido 19% desde 2022, sinalizando uma importância crescente da atividade logística no perfil empresarial do concelho, que carece de consolidação.

Verifica-se ainda que, apesar da elevada qualificação da mão de obra – 12,2 anos de escolaridade média –, o rendimento mensal dos trabalhadores por conta de outrem (1.418,60 €) permanece abaixo da média nacional (1.460,80 €), o que pode comprometer a retenção de talento no concelho, um fator essencial para a sua competitividade.

Apesar da atomização do tecido empresarial, existem, contudo, sinais altamente encorajadores. Das 622 pequenas e médias empresas existentes no concelho, 59 foram distinguidas como PME Excelência em 2023, alcançando 262,6 M€ em volume de negócios e 29,4 M€ de exportações – um reconhecimento atribuído pelo IAPMEI e pelo Turismo de Portugal, em parceria com o sistema bancário e o Banco Português de Fomento, a empresas financeiramente sólidas, inovadoras e com boas práticas de gestão. Esta performance reforça a importância de políticas públicas business-friendly, que consolidem esta trajectória, sejam favoráveis ao investimento, diversifiquem a economia local e promovam a subida na cadeia de valor..

A afirmação de Coimbra deve assim assentar na aposta clara em clusters estratégicos – concentração de empresas e instituições complementares num mesmo setor – capazes de gerar economias de escala e reforçar a sua competitividade. As áreas da tecnologia e saúde, onde o concelho já é uma referência nacional e internacional, revelam um potencial particularmente elevado. Coimbra dispõe da única empresa unicórnio com sede em Portugal (Feedzai), uma das melhores incubadoras científicas do Mundo (IPN), e o maior centro hospitalar universitário português. Combinados com o papel “metropolitano” que a cidade exerce no território envolvente, estes recursos oferecem condições únicas para fortalecer sinergias entre empresas, associações empresariais, universidades e centros de investigação, impulsionando a inovação, o emprego qualificado e a atração de investimento estrangeiro.

Autoria de:

Miguel Fonseca

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