Coimbra

Casa do Cinema de Coimbra em risco por falta de obras da Câmara

09 de abril de 2026 às 16 h42
Casa do Cinema de Coimbra está em risco de perder a sua licença | Fotografia: DR

A Casa do Cinema de Coimbra está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, garantiu o coordenador do espaço, que admitiu que a continuidade do projeto está em causa.

“Quando mudou o executivo, perguntei sobre as obras na Casa do Cinema e a vereadora disse que não haverá dinheiro para obras. Ora, não havendo obras, nem projeto, e se se continuarem a detetar anomalias, há uma probabilidade muito grande de ser perder a DIR [licença que permite a exibição de cinema]”, disse à agência Lusa o coordenador do espaço, Tiago Santos.

A agência Lusa questionou o executivo, liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), mas não obteve qualquer resposta.

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O responsável notou que em setembro, quando será feita nova inspeção para renovação da licença, a Casa do Cinema “pode acabar”, se se mantiverem as anomalias identificadas numa vistoria da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) feita aquando da emissão da licença, em 2021.

“Não há, da parte do executivo, vontade em submeter o projeto e isso pode comprometer os nossos postos de trabalho e a perda de licença para explorar a sala. Sem poder gerar receita, não há capacidade para manter as oito pessoas [que trabalham no projeto]”, alertou Tiago Santos.

Com o risco de perder a licença, o coordenador explicou que a Casa do Cinema de Coimbra, que começou há cinco anos, fica em risco de acabar.

A Casa do Cinema de Coimbra começou a funcionar em 2021, reativando uma das duas salas das Galerias Avenida que passaram a ser propriedade do município em 2022, que as comprou por 170 mil euros e que começou a desenhar um projeto de requalificação daquele espaço, ainda no anterior mandato, quando o executivo era encabeçado por uma coligação liderada pelo PSD.

Segundo Tiago Santos, o projeto estava orçado na ordem de meio milhão de euros, tendo-se avançado com um processo de classificação das salas de cinema como imóveis de interesse municipal, para permitir a sua candidatura a fundos comunitários, que ficou concluído já no atual mandato, no início de março.

Face às reuniões intercalares com a IGAC e a algumas anomalias que foram sendo resolvidas ao longo destes cinco anos pela Casa do Cinema de Coimbra e pela Câmara de Coimbra, Tiago Santos disse acreditar que seria possível renovar a licença mesmo sem obras concluídas, mas com s indicação de um projeto de requalificação em curso.

Na emissão da licença pela IGAC, em 2021, é dada nota de que devem ser cumpridas as condicionantes associadas à vistoria inicial das instalações, que apontava para necessidade de resolver infiltrações, criar condições de acessibilidade, rever as instalações elétricas, atuar nos revestimentos e alterar as portas de entrada da sala.

Além disso, Tiago Santos lamentou o não aumento do apoio à atividade da Casa do Cinema de Coimbra e do festival de cinema Caminhos, que se situa nos 35 mil euros.

“Queríamos um aumento do valor de pelo menos para o dobro, sendo o triplo o desejado”, defendeu, recordando que a Casa do Cinema de Coimbra é o equipamento cultural detido pelo município com o orçamento mais baixo.

“O cinema é o parente pobre da cidade”, disse.

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