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Celebrar o futebol

24 de julho de 2026 às 10 h15

Este mundial de futebol foi difícil de digerir. Houve falhas na organização graves, preços de bilhetes escandalosos, assistimos aos Estados Unidos a impedir a emissão de vistos, a Donald Trump a influenciar o presidente da FIFA, homem sobre o qual pairam as maiores e piores suspeitas possíveis e imaginárias, não fosse ele um “digno” sucessor de Blatter e Platini. O lado mais negro foi o futebol afastar-se dos adeptos, por mais que estes, vezes sem conta, e apesar de impiedosamente explorados, terem continuado a lutar para manter a integridade do desporto, apesar das desnecessárias pausas para hidratação, “fechando os olhos” ao inédito halftime show da final.

Muitas das críticas neste mundial surgiram por causa da Argentina, selecção que se tornou o ódio de estimação mundial. As etapas que foi ultrapassando até chegar à final foram por muitos consideradas cosmicamente fraudulentas, pelo menos clamorosamente injustas. Se tivesse sido campeã, haveria quem colocasse em causa a existência de Deus, até de D1OS, que ficou sacrossanto na comparação com um Messi caído em desgraça, que agora mais parece um santo a quem cortaram as asas.

Não são de hoje as suspeitas de a Argentina ser beneficiada. Quem não se lembra do golo “mão de Deus” (nota importante: este golo foi eclipsado pelo segundo de Maradona, o melhor de sempre, de todos os mundiais), e de em 2022, no Qatar, a Argentina ter sido salva depois da derrota na estreia contra a Arábia Saudita? É possível recuar mais no tempo, até 1978, o mundial da ditadura, em que a caminhada caseira da Argentina ficou marcada por um dos jogos mais polémicos da história, já que precisava de golear o Peru, na segunda fase de grupos, para chegar à final. E não é que ganharam 6 a zero e foram campeões contra a Holanda, no prolongamento, a jogar em Buenos Aires?

As polémicas este ano foram tantas que se calhar mais vale acabar com o VAR, se ele de nada nos serve ou, pior ainda, só serve quando “dá jeito”. Uma Argentina que ganhou com mérito a final de 2022 contra a França, caiu em desgraça em 2026. Podia ter caído por estar “velha” ou decadente, mas infelizmente assistiu-se à sua queda trágica de podre, no campo e no comportamento. Há-de regressar, pois os adeptos gostam de sofrer com o futebol. E, também por isso, precisamos da Argentina.

 

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