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Praia Fluvial da Louçainha: um “little shire” tão perto de nós…

18 de julho de 2026 às 08 h45

Antes de atravessarmos a fronteira em busca de um destino distante, talvez valha a pena fazermos uma pergunta simples: conhecemos verdadeiramente o país onde vivemos? À medida que agosto se aproxima, trazendo consigo o mês mais intenso de férias para os portugueses, regressa também a tentação de procurar lá fora aquilo que, muitas vezes, existe bem mais perto de nós. Temos um território de belezas naturais e patrimoniais difícil de igualar, pena é o desequilíbrio socioecónomico dentro deste pequeno espaço que ocupamos, por isso o meu apelo neste artigo de hoje e a causa – sim, causa! – que devemos abraçar sem hesitações: a promoção do desenvolvimento efetivo das regiões de “baixa densidade”, nomeadamente o interior do nosso país, em que o turismo interno, aliado ao turismo regenerativo, podem ser a estratégia mais importante.

Fazer férias em Portugal é muito mais do que uma escolha prática, é um investimento na economia nacional, nas pequenas empresas familiares, no comércio local, na restauração, no alojamento e em milhares de profissionais, pessoas, que vivem do turismo. É contribuir para a vitalidade das comunidades e para um desenvolvimento mais equilibrado do território.

Esta é, precisamente, a mensagem que inspira a mais recente campanha do Turismo de Portugal, “Não procures mais longe. Encontra o teu país”. Parte de uma ideia simples e poderosa: aquilo que procuramos numa viagem – descanso, aventura, surpresa, felicidade – não está, necessariamente, além-fronteiras, está muitas vezes ao virar da próxima curva, montanha acima ou espraiado num vale. Com a criatividade a que o Turismo de Portugal já nos habituou, aquela campanha associa emoções a lugares portugueses, convidando-nos a descobrir a “Serra da Quietude”, a “Cascata da Paz”, a “Aldeia da Calma”, o “Castelo de Certezas”, a “Praia do Espanto” ou o “Rio Feliz”, nomes e lugares simbólicos, mostrando que o destino de sonho é aquele que nos faz sentir bem, que nos enternece… e que pode estar tão perto.

Há lugares que ilustram na perfeição este convite à (re)descoberta. Muito outros exemplos, felizmente, aqui poderia trazer, mas hoje escolho este, a Praia Fluvial da Louçainha, no Concelho de Penela. É um daqueles locais onde o tempo parece abrandar, ali, entre árvores e arbustos de onde parece que a qualquer momento pode saltar um “hobbit”, alegoria que formulei logo na primeira visita e que gosto de partilhar.

Um refúgio raro, onde a água cristalina do ribeiro convida a mergulhos refrescantes, enquanto a ampla área verde acolhe famílias, leitores solitários, caminhantes ou simplesmente quem procura o privilégio de não fazer nada. Não há pressa, nem relógios, onde o convite à fruição lenta se estende a um restaurante de cozinha portuguesa, inspirado na história, na identidade e nos produtos da região Centro, onde um culto, comunicativo e empreendedor Chef, que tem tanto de criativo como de resiliente, nos abre portas a um ambiente pleno de emoções gustativas.

Nestas férias, num fim de semana, em qualquer altura do ano, talvez não tenhamos de procurar, sempre, tão longe.

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