opiniaoVisões de Coimbras

A vertente de negócio do PRR

19 de junho de 2026 às 09 h30

Para a maioria dos cidadãos que percorrem a vida na dependência do emprego, e medem os meses pelo dia de pagamento, a vida processa-se de modo rotineiro, com umas imagens de televisão para comentar, uns convívios dentro do orçamento disponível, umas férias bem orçamentadas. Estes cidadãos não conhecem a chuva de fundos europeus que carregam as nuvens da distribuição. Há dinheiro para milhares de actividades.

Há uma abundância de dinheiro que vos pode cair no prato, desde que se dediquem a procurar com afinco na área que vos interessa, e com a ajuda da IA para não perder sal nem pimenta. Fundos europeus chovem de Timor às penitenciárias. Há fundos para projectos ilimitados e grandes somas de capital. Há obviamente regras e fundamentação adequada.

Temos de preencher umas dezenas de papeis e depois e ao concurso a que irão os que descobriram o mesmo mamilo que nós. Todos a tentar beber o suco verde e a lutar desalmadamente pelo apoio aprovado. Porque há tanto crédito na nuvem? Possivelmente porque a ideia é incentivar as pessoas, os municípios e instituições a construir sociedade. A ideia é benemérita e cheia de boas intenções, já os fins últimos dependem de quem se candidata.

Há governos que criam equipas de angariação de fundos, há câmaras com gabinetes de assalto à nuvem rica. Ele há pessoas que se realizam na procura do fundo adequado a cada um. Há mesmo empresas que só existem porque estes fundos podem ser bebidos. Se julga que sou louco e demagógico, escreva no seu telemóvel, em motor de busca, uma palavra qualquer, depois escreva sustentabilidade e fundos europeus. Pode ser sapato, ou garrafa, ou eucaliptos, ou prisões ou mirtilos, qualquer uma terá um fundo longínquo adequado às palavras importantes da agenda europeia: sustentabilidade, agenda verde, redução de emissões, coesão, transição, inovação. Não pode falhar estas luzes que iluminam o dinheiro.

Este dinheiro tem ideologia, tem fundamento político e pode ser seu, mesmo que só cumpra a retórica. Este é o processo pelo qual muitos canalhas se apropriam de fundos europeus – sabem a cantiga toda, cantam as músicas do wokismo como ninguém.

Cantam em coro, cantam à capela, cantam em uníssono e desbravam a burocracia como mangas de alpaca. Claro que há inúmeros bem intencionados envolvidos, e há muitos projectos válidos apoiados. Claro que há ciência ganhando fundos. O mundo não é só dos bandidos, nem só tem gente esperta, mas que os abutres dos fundos andam a voar, não tenham qualquer dúvida,e se tinham, testem com a IA do google.

O problema é criarem-se projectos para os fundos sem qualquer necessidade, sem qualquer sustentação no terreno. Exemplo? Uma piscina municipal caríssima onde só há 300 habitantes. Painéis solares em invernos longos. Limpa neves em Angola. Sobreiros para tirar cortiça dentro de dez anos.

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

opiniao

Visões de Coimbras