Nunca foi fácil…
E se fosse, não era para nós! Sendo o academismo um estado de alma – que o distingue do mero clubismo – o sofrimento é uma constante. Próprio das paixões intensas, como a Briosa.
Este ano não foge à regra e cá estamos, uma vez mais, naquele impasse do vai-não-vai. Tem havido de tudo, como neste fim de semana: recuperar de uma desvantagem de três golos, enfrentar arbitragens tendenciosas e a espera (em vão) pela escorregadela alheia.
Mas esta tem sido uma época desportiva com notas especiais: recordes de assistência em Coimbra e magotes de gente a acompanhar a Académica fora de casa; um sentimento de esperança e alegria estampado em caras de gerações mais novas. Há futuro!
“Afinal de contas, a Académica de Coimbra é muito mais do que um clube de futebol. É um símbolo histórico da cidade de Coimbra, da tradição universitária e de uma identidade única no panorama desportivo português”
Por muito que outros não entendam, a Briosa transporta consigo um legado raro de cultura, pensamento crítico e paixão, sendo recordada por gerações de adeptos espalhados pelos quatro cantos do mundo.
A indispensável subida de divisão representa, por isso, muito mais do que um sucesso desportivo. Significa devolver visibilidade nacional a Coimbra, revitalizar o orgulho coletivo da cidade, atrair mais pessoas ao estádio, dinamizar a economia local e recolocar a Académica no palco onde a sua história exige que esteja. Uma Académica forte é também uma Coimbra mais afirmativa, mais vibrante e mais confiante no seu futuro.
Na última jornada, daqui a uma semana, há um apelo que deve ecoar em cada canto onde exista um academista: é preciso encher o estádio, atingir novo recorde de assistência, e empurrar a equipa do primeiro ao último minuto; os jogadores que entrem em campo conscientes de que carregam décadas de história, memória e esperança. Falta um derradeiro esforço para transformar um sonho coletivo em realidade.
Coimbra exige-o. A Académica merece!

