Termas da Feira deram prejuízo em 2025 mas aumentaram faturação e anunciam obras
Termas de São Jorge registaram prejuízo de 74.819 euros | Fotografia: DR
As Termas de São Jorge, em Santa Maria da Feira, tiveram em 2025 um prejuízo de 74.819 euros, mas atribuíram hoje esse resultado à despesa decorrente da conversão em empresa municipal e anunciaram obras para reforço de atividade.
Em causa está o desempenho da Sociedade de Turismo de Santa Maria da Feira, que tem como principal atividade a gestão do balneário instalado nesse concelho do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, e que passou a empresa municipal em 2021, depois de a autarquia liderada pelo PSD ter passado a sua comparticipação na estrutura de 50% para os atuais 99,52%.
Com registo de 2.945 aquistas em 2025, num total de 33.751 visitas e 177.500 práticas termais, a faturação global das Termas aumentou 4,7%, evoluindo de 816.276 euros em 2024 para 854.897 no ano passado. A comparticipação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) também contribui para o aumento de 4% que se verificou nas vendas estritamente afetas à atividade termal, com os tratamentos prescritos pelo médico de família a representarem 16,3% da faturação do ano.
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No entanto, no resultado negativo de 74.819 euros influiu sobretudo o aumento da despesa em rubricas como a de materiais e, em especial, a de recursos humanos, que, entre 2024 e 2025, passou de 625.943 para 778.612 euros.
Fonte oficial da Sociedade de Turismo fez, ainda assim, uma análise positiva do que considerou um crescimento generalizado da sua atividade: “De 2021 para 2025 as vendas totais subiram 78,1%, enquanto o subsídio municipal desceu 14% e o seu peso nas receitas totais desceu de 38,1% para 22.9%. No mesmo período, foram alocados quase 210.000 euros do subsídio camarário à concessão de benefícios diretos aos munícipes termalistas, tendo o valor desse apoio aumentado gradualmente de 3,8% para 22,9%. O número total de dias de trabalho também aumentou 81%, reflexo do aumento da duração dos contratos e do crescimento de 30% dos recursos humanos, para um total de 43 colaboradores.”
A mesma tendência está identificada para 2026, considerando que os resultados do primeiro trimestre já evidenciam “um aumento de 9% na frequência termal e de 15% no volume de negócios face ao período homólogo de 2025”. A Sociedade de Turismo justifica com essa procura o investimento (ainda não quantificado nem calendarizado) que está previsto para “requalificação do estabelecimento termal”, de forma a “acomodar o crescimento contínuo da atividade do balneário e a diversificação da sua oferta”.
Essa intervenção deverá igualmente “renovar as áreas técnicas e as captações de água mineral natural do balneário, de modo a continuar a garantir a qualidade desse recurso, o seu uso eficiente e o aumento da sua capacidade de resposta”, e reforçar a investigação sobre as águas locais, para “reforçar a credibilização da terapêutica termal e potenciar o seu uso” noutros contextos.
Ainda no que se refere ao futuro, a Sociedade de Turismo e Câmara manifestam-se dispostos a “avaliar a pertinência da fusão” dessa empresa municipal com a sua congénere Feira Viva, “numa ótica da otimização dos recursos e potencialização de uma oferta integrada de serviços”.
Depois de analisar o desempenho da entidade que gere o balneário da freguesia das Caldas de São Jorge, a vereação socialista da Câmara da Feira lamenta “o paradoxo” entre uma atividade que cresceu e uma situação financeira que piorou. Realça, por isso, alguns aspetos no desempenho das termas: “A despesa total foi 116% do orçamentado; o principal desvio está nos gastos com pessoal, que ultrapassaram em 24% o valor orçado; a empresa fechou o ano com menos 44% de liquidez em caixa e o capital próprio diminui 22,7%; há perdas históricas acumuladas e a sustentabilidade do modelo continua dependente de financiamento municipal”.
Os vereadores socialistas reconhecem que a atividade do balneário está sujeita a sazonalidade, mas defendem que esse “não é um acontecimento extraordinário e sim uma realidade estrutural conhecida”, pelo que, quando a principal derrapagem do exercício ocorre precisamente numa área previsível, o que está em causa não é o acaso – é planeamento, previsão e controlo”.
No que se refere aos gastos de pessoal, em parte justificados pela maior duração dos contratos laborais, o PS critica “o aumento muito significativo” dos salários do conselho de administração: “Num ano em que a empresa fecha com prejuízo, o Município, enquanto acionista dominante, tem o dever de explicar quando, como e com que fundamento foram fixadas essas remunerações aos administradores”.
Já quanto ao corte de 16 dias na laboração devido a reparações e intempéries, os socialistas alertam: “A administração invoca como fatores explicativos a avaria da bomba de um furo de água, o apagão ibérico e a depressão Cláudia. Admitimos que esses factos tenham tido impacto, mas a Câmara não pode escrutinar por narrativa – tem que escrutinar por números e aquilo que se exige é que seja quantificado em euros o impacto de cada uma dessas ocorrências, que se esclareça que seguros existiam, quais foram acionados e que valores foram ou não recuperados”.
Mesmo assim, o PS assegura não pôr em causa “a importância estratégica das Termas de São Jorge nem o trabalho dos seus profissionais” e exige apenas mais “rigor, transparência e responsabilidade na gestão de um ativo público que pertence aos feirenses”.

