O ecossistema faz a força
Apples, Cantão de Vaud, Suíça. Mil e duzentos habitantes em 1981. Foi ali que três engenheiros instalaram a sua empresa numa quinta. Chamaram-lhe Logitech. Hoje, mais de mil milhões de ratos vendidos. Dezasseis mil milhões de dólares de capitalização. Quase ninguém no mundo trabalha sem tocar num produto saído daquela aldeia. Como é que mil e duzentas almas produzem uma multinacional? Não foi sorte. Foi ecossistema. A Logitech nasceu encostada à EPFL, hoje uma das vinte melhores universidades técnicas do mundo. O primeiro rato baseou-se num protótipo de um professor da casa. Quarenta e cinco anos depois, a sede mundial continua no campus, com cinquenta estagiários da EPFL ao mesmo tempo dentro da empresa e duzentas startups vizinhas no mesmo parque. Universidade, capital, talento, infraestrutura, num raio de poucos quilómetros. Apples não tinha nada de especial. A região à volta de Apples decidiu ter. Coimbra e a Região Metropolitana têm hoje o que Apples não tinha em 1981. Uma das universidades mais antigas da Europa. Hospitais universitários. Biotecnologia em Cantanhede. Polo aeronáutico em consolidação. Agroindústria com identidade. Escolas técnicas a formar quadros. E gente formada que, ano após ano, faz as malas porque entre a tese e o primeiro emprego qualificado o caminho passa por Lisboa, Berlim ou Zurique. Temos os ingredientes. Falta-nos a coreografia.
