TEUC estreia peça para pôr em causa Coimbra
Peça estreia amanhã | Fotografia: TEUC
O Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) estreia na quinta-feira a peça “Coimbra: The Best City to Live and to Love”, uma tragicomédia para pôr tudo em causa, incluindo a cidade.
A peça, que estará em cena de quinta-feira a domingo, recupera e transforma o mito fundador da cidade da princesa Cindazunda, filha de um rei que é oferecida a outro, com o casamento a selar a paz entre os dois reinos em conflito.
Em palco, sete atores recorrem ao estilo tragicómico do bufão para trabalharem e distorcerem esse mito fundador de Coimbra, ao mesmo tempo em que refletem sobre a cidade onde vivem e o seu lugar nela, disse à agência Lusa o encenador do espetáculo, Hugo Inácio.
Adira aqui ao canal do WhatsApp DIÁRIO AS BEIRAS
“Começou-se a falar da cidade, dos mitos fundadores e da Cindazunda, que é oferecida pelo seu pai em troca da paz. E esse símbolo – essa mulher que é um objeto que é dado a outra pessoa – começou a espelhar a vontade dos atores de falarem de todos os podres que a cidade de Coimbra tem”, disse.
O título remete logo para a ironia presente na peça, onde “nada é poupado” – a cidade, o teatro -, notou, referindo que o espetáculo surge também como contraponto a “esta coisa de se bradar aos céus de que Portugal é um país super acolhedor e que ninguém sofre de xenofobia ou de homofobia”.
A peça divide-se em três partes, arrancando com o bufão, um estilo “que mostra de maneira um bocado violenta, através da deformação dos corpos, pessoas que representam certos temas na sociedade que estão à margem”, num teatro “mais bruto, mais cruel e mais cru”, contou.
Posteriormente, há uma espécie de ‘casting’ onde os próprios atores se põem em causa, enquanto procuram ser contratados para a tal história da Cindazunda.
Num espetáculo sem linearidade, os atores “refletem sobre a sua condição, mas também sobre a cidade e o seu lugar na cidade”, salientou Hugo Inácio.
“Eu acho que a própria cidade se acha um pouco ‘The Best City to Live and to Love’ [a melhor cidade para viver e amar]. Sempre achei – não sou de cá – e há essa brincadeira com o reflexo que a cidade tem dela própria”.
O espetáculo, que se assume como uma tragicomédia, foi sendo construído coletivamente pelo grupo de atores do TEUC em formação, que não queriam fazer “um conto de fadas”, quando o mundo passa por “um pequeno inferno”, aclarou o encenador.
“Queriam falar sobre os seus problemas, sobre a sua vida aqui”, afirmou Hugo Inácio.
O espetáculo termina com um terceiro painel em torno da Cindazunda, num registo marcado pelo ‘clown’, “mais divertido e cómico”, regressando ao bufão para um final “mais duro”.
A peça é apresentada no Teatro de Bolso do TEUC, no edifício da Associação Académica de Coimbra.
A interpretação está a cargo de Gabriel Figueira, Lara Parreira, Leandro Cotrim, Luísa Rosmaninho, Mariana Matos, Raven Adara do Canto e Victor Hugo Arantes.
