1.º de Maio
O dia 1 de Maio passou a ser feriado depois do 25 de Abril de 1974, mas já era assinalado em Portugal pelo menos desde 1890, quatro anos depois de no dia 1 de Maio de 1886, em Chicago, os operários terem feito greve a reivindicar um máximo de oito horas diárias de trabalho. Apesar das várias tentativas para tornar o 1.º de Maio feriado em Portugal, foi demasiado o tempo de espera. Apesar do Dia do Trabalho(r) ter surgido nos EUA, o primeiro país a instituir a data como feriado nacional foi a França. Fê-lo em 1919, na mesma data em que aprovou as 8 horas de trabalho diárias, o que também sucedeu em Portugal.
Existe a percepção generalizada de que os trabalhadores historicamente conquistaram direitos por causa das políticas e políticos, partidos ou movimentos do espectro mais à esquerda. Uma percepção que tende a marginalizar injustamente o contributo dos outros na implementação de reformas laborais, desde os partidos à direita e políticos conservadores e a doutrina social da igreja católica. Um contributo crucial foi a Encíclica Rerum Novarum, de 1891, sobre a condição dos operários. A Santa Sé, liderada então pelo Papa Leão XIII, considerou necessário, com medidas prontas e eficazes, vir em auxílio das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida, rejeitando a solução socialista que acusava de instigar nos pobres o ódio.
Quem, antes de 1900, implementou as primeiras leis de segurança social do mundo, incluindo o seguro de saúde (1883), seguro contra acidentes de trabalho (1884) e pensões por velhice e invalidez (1889) foi o conservador alemão Otto von Bismarck, considerado o fundador do Estado Social. Pela mesma altura, em Inglaterra, várias foram as reformas instituídas pelo líder do partido conservador, Benjamim Disraeli.
Por cá, João de Almeida Policarpo apresentava um estudo sobre o pensamento social do grupo católico português expresso no jornal A Palavra, modernizando a intervenção social católica através de sindicatos e círculos operários. Chamo a atenção para este autor porque lhe devemos a transformação das férias, que deixou de ser um prémio do patrão para um direito irrenunciável do trabalhador, ao relacionar a justiça social com a dignidade da pessoa humana.
No fundo, tanto à esquerda como à direita, há de tudo um pouco. Há na esquerda(s) liberais, socialistas, comunistas, etc; tal como na direita(s) há conservadores, reaccionários, nacionalistas, etc. Sem prejuízo das diferentes sensibilidades, tenho a convicção de que há, acima de tudo, um imenso espaço comum. Que, “limpas” as arestas, há princípios (muitos dos quais bastante pragmáticos) que permitem equilibrar, reformar e fazer evoluir positiva e realisticamente todo um “sistema”, a bem de todos.
