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ESAC defende revisão do financiamento e apoio do Ministério da Agricultura

22 de abril de 2026 às 15 h17
João Gândara é o novo presidente da ESAC, escola que hoje assinala 139 anos com uma sessão solene - Foto: DB - Ana Catarina Ferreira

Num momento em que celebra os 139 anos, quais são os principais desafios que se colocam à ESAC?
Um dos principais desafios que enfrentamos é a diminuição do número de candidatos aos cursos de licenciatura da ESAC. Embora em algumas áreas a procura já fosse usualmente baixa, em 2025 registou-se uma redução significativa em praticamente todas as áreas, à semelhança do que aconteceu em muitas outras instituições. Ainda que parte desta diminuição possa ser explicada pelas alterações nas regras de acesso ao ensino superior, é fundamental reforçar, mais do que nunca, a importância dos técnicos qualificados nas áreas de formação da ESAC para o futuro do país. Estes técnicos estão preparados para dar um forte contributo para o melhor desempenho do setor primário forte e o aumento da coesão territorial. Outro desafio relevante prende-se com a incerteza em torno do futuro enquadramento legal do ensino superior e da ciência em Portugal. Antecipam-se possíveis alterações, que poderão ter um impacto muito significativo sobre a ESAC.

Logo que tomou posse, há um mês e meio, alertou para as dificuldades orçamentais da ESAC. O que pode ser feito para alterar esta situação?
A única forma estrutural de ultrapassar os constrangimentos orçamentais da ESAC passa pela revisão do modelo de financiamento do ensino superior. No caso das escolas agrárias, nessa revisão poderia estar prevista uma contribuição do Ministério da Agricultura, uma alteração pela qual iremos pugnar. Enquanto essa mudança não se concretizar, teremos de continuar a maximizar a captação de receitas próprias, nomeadamente através de projetos de investigação e desenvolvimento, da prestação de serviços e da comercialização dos produtos da nossa exploração agrícola. Importa sublinhar que estas receitas resultam diretamente do esforço dos trabalhadores da ESAC. Embora seja desejável o seu aumento, tal depende de múltiplos fatores fora do nosso controlo. Existe ainda o risco de se atingir um ponto de saturação, em que já não seja possível exigir mais aos trabalhadores, cujo tempo e capacidade são, naturalmente, limitados.

Como se explica que a área da agricultura e floresta, cada vez mais fundamental no nosso país, não tenha tradicionalmente uma grande procura? Como alterar esse cenário?
A reduzida procura por estas formações parece resultar, em grande medida, de uma perceção incorreta sobre o trabalho desenvolvido pelos técnicos qualificados destes setores. É importante esclarecer que a ESAC forma agrónomos, não agricultores, tal como forma técnicos florestais, não madeireiros. Esta distinção não implica qualquer desvalorização dessas profissões, mas reflete a natureza das funções desempenhadas pelos técnicos qualificados, mais centradas na gestão, no planeamento e na tomada de decisão do que na execução direta das operações.
Por outro lado, persiste a ideia de que estes cursos têm poucas saídas profissionais, o que não corresponde de todo à realidade. São frequentes os relatos de dificuldades no recrutamento de técnicos florestais e agrónomos, precisamente devido à sua escassez. Um sinal claro desta procura é o facto de um consórcio de empresas do setor florestal oferecer bolsas a estudantes que ingressam em cursos de licenciatura e mestrado nesta área.

 

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