Câmara da Guarda com resultado líquido negativo de 300 mil euros em 2025
Anúncio foi feito pelo presidente da autarquia, Sérgio Costa, no final da reunião do executivo | Fotografia: DR
A Câmara da Guarda aprovou hoje por maioria, com a abstenção e as críticas dos vereadores do PS e da coligação PSD/CDS/IL, a prestação de contas do exercício de 2025 com um resultado líquido negativo de 300 mil euros.
“A Câmara da Guarda tem boas contas, recomenda-se e assim vai continuar, se Deus quiser, durante os próximos anos. É claro que há decisões de gestão que vamos ter de tomar ao longo do exercício em função dos fundos e financiamentos que vamos conseguindo, e dos investimentos e despesas que vamos tendo no dia a dia”, disse o presidente do município, Sérgio Costa, no final da reunião do executivo.
O autarca do Nós, Cidadãos! adiantou que o exercício de 2025 saldou-se num resultado líquido negativo de 300 mil euros, mas desvalorizou o número.
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“Se formos olhar aos últimos sete anos, este é o terceiro melhor resultado da Câmara. Não é nenhum drama, mas faz-nos é arregaçar as mangas e trabalhar mais para o futuro”, realçou.
Para Sérgio Costa, este resultado líquido de exercício, tal como a liquidez imediata que também baixou em 2025, deve-se “a um fator muito simples, que são fundos comunitários por receber”.
“O município da Guarda já fez intervenções e pagou cerca de seis milhões de euros, mas ainda não recebeu nada do Centro 2030, onde temos 3,5 milhões de euros, nem do Plano de Revitalização da Serra da Estrela”, exemplificou.
O presidente justificou ainda que a Câmara não pode deixar de fazer investimento e lembrou que, no mandato anterior, a oposição chumbou vários empréstimos, o que já estará a refletir-se nas finanças municipais.
“Temos taxas de execução da receita de 86% e da despesa de 77%, mas registou-se uma redução nas transferências e subsídios de cerca de meio milhão de euros, enquanto os compromissos assumidos aumentaram 02%, quase dois milhões de euros”, disse.
Sérgio Costa admitiu que o passivo aumentou em 2025, mas devido “a fatores que não se consegue controlar, como os fundos comunitários”, enquanto o prazo médio de pagamentos passou de 19 para 42 dias.
“Não quer isto dizer que estamos a pagar fora de tempo. Não, estamos a pagar a tempo e horas. Só não o fazemos mais cedo porque ainda não recebemos o dinheiro dos fundos comunitários”, garantiu.
Em termos de fundos disponíveis, a Câmara da Guarda “está bem”, contando atualmente com 3,2 milhões de euros e existindo ainda uma margem de endividamento de 54 milhões de euros, realçou o autarca.
Já o aumento das despesas com pessoal, da ordem dos 2,2 milhões de euros, deveu-se a atualizações salariais, às carreiras e a contratações.
O vereador do PS António Monteirinho absteve-se por considerar que a prestação de contas de 2025 se situa “entre a gestão possível e a opção pelo mais fácil”.
O socialista disse ter ficado “preocupado” com o resultado líquido negativo de 300 mil euros, com o passivo de cerca de sete milhões de euros e com o aumento dos custos com pessoal.
“É um gasto excessivo, significa que já estamos a falar em 34,3% da receita total da Câmara comprometido com a despesa com o pessoal”, apontou.
António Monteirinho também salientou o aumento de cerca de 1,5 milhões de euros da dívida total da Câmara da Guarda.
Indicadores também salientados por João Prata, da coligação PSD/CDS/IL, para quem tem havido “um constante degradar da situação financeira” da Câmara da Guarda nos últimos anos.
“É preciso pensar um pouco mais naquilo que andamos a decidir do ponto de vista económico e financeiro na Câmara da Guarda, que vai tendo cada vez mais dificuldades em pagar aos fornecedores”, alertou o vereador social-democrata.
Confrontado com estas críticas, Sérgio Costa respondeu que “a oposição faz o seu papel, que é falar sempre mal de quem governa”.
“Mas, hoje, a oposição já deve ser feita de outra forma. Já agora que falem com os seus amigos dos partidos, que estão na Assembleia da República, e façam lá leis que permitam que os fundos comunitários possam ser ressarcidos a tempo e a horas”, contrapôs.

