Município de Anadia contra extração de inertes na zona de “Barro do Moleiro”
O Município de Anadia emitiu parecer desfavorável ao pedido de atribuição de uma área para prospeção e pesquisa de depósitos minerais, como caulinos, areias siliciosas e outras argilas especiais, na zona de “Barro do Moleiro”.
A decisão foi aprovada na reunião da Câmara Municipal na segunda-feira, anunciou hoje a autarquia em comunicado enviado à agência Lusa.
O pedido, apresentado pela empresa Simões Sá Pereira, S.A., abrange as freguesias de Avelãs de Cima, Moita e a União de Freguesias de Arcos e Mogofores.
No mesmo comunicado, o Município de Anadia reconheceu que a exploração de recursos geológicos e depósitos de materiais é “fundamental para algumas atividades económicas e tecnológica”, mas considerou que “acarreta uma série de aspetos negativos” que afetam o ambiente, a sociedade e a economia local, “tão evidenciada já no território municipal”, nas localidades de Cerca, S. Pedro e Candeeira, na freguesia de Avelãs de Cima.
“Estes impactos manifestam-se desde a fase de extração até ao abandono das minas, sendo a mineração, por isso, considerada uma das atividades mais agressivas para os ecossistemas naturais”, segundo o documento aprovado.
Para o executivo camarário de Anadia, os impactes ambientais, sociais e na saúde das pessoas e animais, assim como os riscos de segurança e passivos ambientais “podem ser irreversíveis, sem possibilidade de corrigir a capacidade de carga da extração, com consequências na qualidade de vida das pessoas e dos bens por elas possuídos”.
A Câmara de Anadia apontou ainda “a destruição de uma fonte de matéria-prima para um dos setores mais importantes da economia local, nomeadamente no complexo agroflorestal, uma das maiores fontes de rendimento das populações locais”, considerando que a atividade que está em causa no pedido “não é responsável pela criação de postos de trabalho diretos e de longa duração, no município e na região”.
Disse ainda que, sendo o território deste município do distrito de Aveiro “forte na produção agrícola familiar e empresarial e o berço do vinho espumante” e as freguesias afetadas produtoras destes produtos, “este setor será seriamente e gravemente afetado”.
“Estarão em risco as funções sociais, ambientais, agroalimentares, produtivas e paisagísticas destas comunidades, pessoas e famílias”, concluiu.


