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Opinião – A gestão perdulária

21 de junho de 2025 às 10 h48
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Imaginemos que falo dos Centro Hospitalar de Coimbra (já desmontado, amarrotado e redistribuído) ou que falo do CHUC que foi a primeira fórmula que ocupou e destruiu a história institucional dos Covões, Maternidade, Pediátrico, Lorvão e Sobral Cid. Suponhamos mesmo, que falo do Rovisco Pais onde existiram carros eléctricos e computorizados, em simultâneo com leprosos eternos, inimputáveis verdadeiros. Tomado de assalto pelo CHUC (que também já não existe), fez parte da ocupação do Hospital de Cantanhede e da desconstrução da sua história. O apagamento de milhares de percursos de vida, o enterro da memória, atingiu agora os Centros de Saúde e uma tradição de tratamento e de seguimento. “Sepultado” o Cirurgião Freitas (Cantanhede), apagado Santana Maia, deleted Luciano dos Reis, Costa Almeida, Carlos Janelas, Hubach Ferrão, Rui Pato, Abreu Barreto, Lousano, Abel Nascimento, Pedro Maia, Lourenço Gonçalves , Armando Carreira, Jordão, Neves da Costa, Gil Agostinho, Armando Donato, Erlander Baeta, António Ramires … e tantos, tantos que dedicaram suas vidas a instituições onde havia missões e brio. Recordo centenas de caras e histórias, entre médicos, enfermeiros notáveis, técnicos empenhados e auxiliares inesquecíveis, secretárias clínicas fantásticas.
O mundo anglo-saxónico regista e compila os percursos e a história deixando arquivos importantes. Aqui a opção é o abandono, o esquecimento e o lavrar por cima, ou talvez se devesse chamar o larvar. E tudo isto para quê? Há cada vez mais gente sem missão, sem foco, sem um prémio ou incentivo, além de pagamentos discutíveis usando horas extra e sistemas adicionais. Também os sindicalistas são culpados quando insistem em se empenhar em alcavalas em vez de salários dignos, mas esse é outro rosário.
Agora temos uma outra peça (imaginada ainda) que é o corredor dos sepulcros. Na consulta externa dos Covões estão agora os antigos directores das administrações dos Hospitais de Viseu, de Cantanhede, do HUC, de Leiria, cumprindo horários em gabinetes a que nomeamos de aquários. São administradores empurrados como assobios. É o percurso do assobia para o lado! Não são eles que querem, não são eles que pedem, é imposto por um estado perdulário e mal gerido esta afronta ao direito ao trabalho. Esta gente devia passear pelos corredores, aparecer nos bares, exibirem o seu degredo nos campos de desporto da casa do pessoal, mas não, como eu, são discretos, tímidos e introvertidos, e sabemos que estão, mas não se observam. Como os peixes do lago fundo. O Serviço Nacional de Saúde está entregue a este rolo compressor de construir para destruir, de gerir sobre o cadáver das estruturas com história, de apagamento das funções e da história, de percursos de vida sábios e experientes que são lavados e enterrados. Não há ninguém com um salário do Estado que deva estar sem funções e sem a vigilância de tarefas. Ninguém merece que se assobie para o lado.

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