Opinião: Visões distintas sobre um mesmo país…

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Os “media” têm mostrado o primeiro-ministro a frisar a baixa do desemprego e o crescimento da economia nacional. Seria bom que Costa tivesse razão! Mas os economistas presentes em Lisboa há quinze dias, no seminário realizado pelo Fórum para a Competitividade para analisar a evolução económica dos últimos 25 anos, após o economista norte-americano Michael Porter, em 1994, e a convite do governo de Cavaco Silva, ter avaliado a economia nacional, e apontado vias para o seu crescimento, disseram que a realidade económica do país desmente este governo.

Ferraz da Costa salientou que para a economia nacional ser mais competitiva, as estratégias empresariais terão de ser apoiadas por políticas públicas adequadas. Vítor Gonçalves, do Centro de Investigação Avançada de Gestão do ISEG, alertou para as implicações da dívida pública na competitividade, referindo que em 1995 o rácio da divida pública em relação ao PIB era de 58%, e em 2016 de 130%, e que “esta evolução é desastrosa”. O ex-ministro das Finanças João Salgueiro referiu que o país perdeu nos últimos anos oportunidades que não se repetem, e que devíamos aproveitar a localização geopolítica entre as duas maiores áreas económicas mundiais, União Europeia e Estados Unidos da América. O ex-ministro da Indústria Mira Amaral referiu a necessidade imperiosa de injetar conhecimento nas empresas. E no encerramento, o Presidente da República disse: “Orçamento após orçamento tenho indicado, no momento da promulgação, como continua insuficiente o incentivo ao investimento. Não se trata de uma questão doutrinária ou ideológica, trata-se de, mesmo no contexto de compreensível preocupação de rigor orçamental, dar sinais mais fortes para que a economia se torne mais produtiva e competitiva”.

Em 1994 era novidade falar em “clusters” empresariais que agrupam miríades de PME´s em torno de grandes empresas que por serem dotadas de vasta dimensão humana e tecnológica atuam como motores das economias, e penetram em mercados globais pela força da infinda inovação dos bens que concebem e produzem. E que, por conjugarem elevadas produtividades a grandes competitividades, exportam bens e serviços para todo o mundo. Porter identificou então forças e fraquezas dos setores económicos nacionais tradicionais e adaptou teorias do seu “diamante” e de “A Vantagem Competitiva das Nações” a Portugal. Foi uma pedrada no charco de uma economia que sobrevivia acomodada ao pequeno mercado interno. Houve empresários que entenderam então a diferença entre subsistir e crescer. E desabrocharam empresas que conquistaram o mundo, como as dos moldes, as do calçado e as dos vinhos, entre outros setores.

Só que a complementaridade de ação entre PME´s que pela menor dimensão se adaptam melhor às oscilações dos mercados, e grandes empresas com pujança para exportarem, continua a sofrer dificuldades com a débil formação da força de trabalho, que é uma das fraquezas estruturais da economia nacional. Pelo que para apoiar as empresas a capacitar os trabalhadores e a fortalecer a sua competitividade, e a do país, há que rever a atuação do IEFP (Instituto de emprego e Formação Profissional). Para haver excelente colaboração empresarial, os níveis de garantia de qualidade de bens produzidos e o cumprimento de prazos de entrega de componentes e serviços não podem sofrer com eventuais menores capacidades das empresas que sejam subcontratadas.

A cooperação empresarial, mais que um problema de dimensão física, é sobretudo uma questão de valorização dos recursos humanos, elemento crítico das organizações. Nos setores industriais a complementaridade de ação é determinante, por as empresas dependerem umas das outras para se tornarem mais produtivas e competitivas. Pelo que os cursos ministrados pelo IEFP terão de ser bem ajustados às necessidades destas empresas, para melhorar a produtividade dos que nelas estão empregados, e para requalificar os que ficam desempregados pelos avanços tecnológicos…

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