Opinião – Cuidados Paliativos

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Paulo Almeida

Paulo Almeida

Antevejo que vamos ser mais uma vez intoxicados com muita desinformação sobre mais um tema dado a fortes emoções, desta vez a eutanásia. Quero desde já esclarecer que nesta discussão não confundo “eutanásia” com “renúncia a excesso terapêutico”.

A diferença está na intenção. Perante a iminente inevitabilidade da morte, mas sem interromper os cuidados devidos, há quem opte por aceitar a condição humana, dispensando intervenções médicas manifestamente desproporcionais e que só precariamente prolongariam a vida. Estas concretas situações são bem distintas da eutanásia, que consiste numa acção que deliberadamente provoca a morte a uma pessoa para eliminar um sofrimento.

Aqui devem entrar os cuidados paliativos, destinados a atenuar o sofrimento da pessoa e, ao mesmo tempo, permitir um adequado acompanhamento humano, mesmo quando isso implique, em alguns casos, abreviar a vida em consequência do uso de medicação que alivie a dor. Está bom de ver que este não é terreno de discussão fácil, de linhas de separação óbvias.

Volto à intenção para estabelecer um critério: na eutanásia quer-se morrer; nos demais casos, não se procura a morte, embora em circunstâncias concretas se possa correr o risco dela. É neste enquadramento que deve ser vista a problemática da eutanásia.

Para alguns, parece existir um direito a morrer, mais uma espécie de libertação individual de quem não aceita o sofrimento como parte da vida. Outros consideram que o domínio sobre o nosso corpo permitido pelos avanços da medicina não pode ser uma amarra a uma ideia de corpo eficiente como único que faz sentido. Para uns, a vida mede-se em prazer e bem-estar. Para outros, o sofrimento não relativiza a dignidade da pessoa humana.

A morte é tanto um desperdício de vida quando interrompe um futuro que se previa brilhante e cheio de maravilhosas experiências, como quando acontece numa vida submersa num mar de dor. De tão óbvio que é, não há outra forma de o dizer: a eutanásia opõe-se à vida.

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