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Velhos são os trapos: O vibrante capítulo da reforma

19 de fevereiro de 2026 às 11 h00

Longe vai o tempo em que a reforma era associada a um epílogo silencioso. No território de Macau, atingir a idade da reforma representa o início de um capítulo vibrante, onde o tempo se prolonga entre passeios, bancos de jardim e confraternizações. Com uma esperança média de vida que ronda os 84 anos, uma das mais elevadas do mundo, os residentes de Macau chegam à reforma com níveis de saúde notavelmente altos.

Factores como o acesso a cuidados médicos de qualidade, uma dieta equilibrada e uma forte ênfase na prevenção e no bem-estar holístico contribuem para que muitos reformados mantenham uma vitalidade impressionante, desafiando estereótipos sobre o envelhecimento. Essa longevidade não é mero acaso: reflete uma cultura que valoriza o equilíbrio entre corpo, mente e comunidade.

Em Macau, os idosos não se retiram para o esquecimento; pelo contrário, inspiram o ar húmido do Delta do Rio das Pérolas, exaltando uma vitalidade que desafia os anos. A rotina diária inclui passeios nos tradicionais jardins e parques públicos, onde o dia começa com a prática de exercício físico ao som de pássaros e do murmúrio distante dos motores.
Os jardins públicos de Macau são verdadeiros santuários dedicados à saúde, projectados com uma sensibilidade que integra conceitos de arquitetura paisagística tradicional chinesa com a modernidade, respondendo às necessidades de diversas faixas etárias.

Entre as atracções mais populares estão as máquinas de exercício físico instaladas nos jardins, parques e praças por toda a região. Esses equipamentos simples, mas eficazes, como elípticas, aparelhos para alongamentos e estações para fortalecimento muscular e equilíbrio, são desenvolvidos para promover a mobilidade, a força, a coordenação e a saúde cardiovascular sem sobrecarregar as articulações. Reformados de todas as idades utilizam-nas diariamente, transformando o exercício numa rotina social e acessível.

Outro elemento característico da rotina dos idosos locais são os percursos de pedras de seixo, típicos da tradição chinesa de reflexologia plantar. Caminhar descalço sobre seixos polidos estimula pontos de acupuntura na sola dos pés, segundo os princípios da medicina tradicional chinesa, melhorando a circulação sanguínea, promovendo o equilíbrio energético do corpo e contribuindo para a longevidade e vitalidade.

Pese embora Macau seja conhecida internacionalmente pelos casinos, os jogos tradicionais dos locais são o mahjong e o xiangqi (também conhecido como xadrez chinês) e é bastante comum ver grupos de idosos reunidos à volta de mesas de pedra integradas no espaço público na jogatana. Mais do que um passatempo, estudos têm vindo a demonstrar que este tipo de jogos estimula o processo cognitivo, melhora a coordenação motora, combate o isolamento social e reduz, significativamente, os riscos de demência. Partilham risos, discutem estratégias e celebram pequenas conquistas diárias, transformando o espaço público num evento social animado.

A reforma em Macau é um momento de reconexão: com a natureza, com a comunidade e com o próprio corpo. Os idosos locais não se limitam a viver o tempo de aposentadoria; celebram-na, inspirando as novas gerações a envelhecer com graça, saúde e, acima de tudo, alegria.

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