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Seguro alerta que envelhecimento pode ser “bomba-relógio” para o sistema de saúde

27 de maio de 2026 às 16 h16
Fotografia: DR

O Presidente da República alertou hoje para o “acentuado envelhecimento” da população portuguesa e o seu impacto no sistema de saúde, afirmando que “pode transformar-se numa bomba-relógio nas próximas décadas”.

António José Seguro deixou esta mensagem na cerimónia de entrega da 2.ª edição do Prémio Jorge Ruas – Inovação em Tecnologia Farmacêutica, iniciativa do grupo farmacêutico Tecnimede.

No seu discurso, o chefe de Estado considerou que “os sistemas de saúde enfrentam desafios cada vez mais complexos” e que “talvez o mais problemático seja a demografia, devido ao acentuado envelhecimento da população”.

 

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Portugal é, em 2026, “o segundo país mais envelhecido da União Europeia”, referiu.

“A tendência é de agravamento, e pode transformar-se numa bomba-relógio nas próximas décadas, com efeitos violentos sobre o sistema de saúde”, afirmou o Presidente da República.

“No presente, se arrastarmos a incapacidade em resolvermos problemas estruturais, juntam-se outras dificuldades, como, por exemplo, doenças crónicas, pressão financeira, desigualdades e dificuldades no acesso e necessidade crescente de inovação”, apontou.

Antes, numa conferência sobre sustentabilidade em saúde, promovida pelo jornal Expresso, pela Nova-IMS e pela farmacêutica AbbVie, no Centro Cultural de Belém, António José Seguro já tinha alertado para o que chamou de “ameaça demográfica”.

“Portugal é hoje um país mais envelhecido. Vivemos mais anos, o que é motivo de satisfação, mas também exige mais cuidados de saúde, mais acompanhamento e mais respostas continuadas, o que acentua a pressão sobre o sistema: mais orçamento, mais estruturas, mais profissionais”, salientou.

Nessa intervenção, o Presidente da República justificou o seu empenho num pacto para a saúde, defendendo que “seria indesculpável, nenhum português entenderia, não empenhar a sua magistratura de influência e o poder da sua palavra para mobilizar profissionais da saúde e decisores políticos em torno de soluções para um problema grave que atravessa toda a sociedade”.

“A sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) depende de uma resposta conjunta que articule recursos humanos e financeiros, inovação, disponibilidade real para a mudança e, acima de tudo, vontade política. Não de uma legislatura. De várias legislaturas. De soluções consistentes que perdurem no tempo e não se percam nas alternâncias do calendário eleitoral”, acrescentou.

António José Seguro, que elegeu a saúde como “causa principal” do primeiro ano de mandato, declarou que está “a cumprir a palavra dada” e manifestou “a esperança de que o contributo desta Presidência seja um impulso para essa tomada de decisão”, e enquadrou a sua atuação como “um apelo à ação, no respeito pelos poderes constitucionais de cada órgão de soberania”.

A seguir, na cerimónia de entrega do Prémio Jorge Ruas, o Presidente da República destacou o papel da indústria farmacêutica, que qualificou como “absolutamente central” enquanto “motor de investigação, de desenvolvimento tecnológico, de qualificação de recursos humanos e de criação de valor”.

“A ambição é irmos mais longe. Portugal precisa de se afirmar cada vez mais nesta área e avançar para o passo seguinte: ser também um produtor de inovação em saúde”, defendeu.

Segundo António José Seguro, é preciso “criar condições para atrair investimento, acelerar ensaios clínicos, promover colaboração entre academia e indústria, e transformar conhecimento científico em valor económico e social”.

O chefe de Estado elogiou o percurso do Grupo Tecnimede, que “soube crescer, internacionalizar-se, apostar em tecnologias avançadas e em inovação”, e iniciativas como o Prémio Jorge Ruas.

“Precisamos, depois, de criar condições para que esses projetos sejam materializados, sejam concretizados. É um processo em contínuo. Continuar a valorizar os investigadores, os cientistas”, apelou.

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