Presidenciais: Bugalho acusa em Coimbra Cotrim de oportunismo e de nunca ter feito uma lei
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O eurodeputado Sebastião Bugalho acusou hoje o candidato presidencial Cotrim de Figueiredo de ser oportunista ao “pendurar-se no silêncio” de Passos Coelho e salientou que não se conhece uma lei ou reforma feita pelo antigo líder da IL.
Num almoço de campanha para as presidenciais de 18 de janeiro, em Coimbra, o membro da comissão política da candidatura de Luís Marques Mendes destacou as qualidades do antigo líder do PSD em contraponto com os seus adversários, deixando igualmente críticas a Gouveia e Melo e a André Ventura.
Mas foi no candidato apoiado pela IL que Sebastião Bugalho centrou as suas críticas, acusando Cotrim de Figueiredo de oportunismo e “falta de cortesia democrática” por se “pendurar no silêncio” de alguns “para reivindicar apoios que não tem”.
“O Dr. Passos Coelho até agora não apoiou nenhuma candidatura, está no seu direito. Mas Cotrim não tem direito a pendurar-se no silêncio de um homem para dar a entender que tem um apoio que não tem. É um abuso e é um oportunismo”, disse, afirmando que o país não precisa de “oportunistas no Palácio de Belém”, mas de reformistas como defende ser Luís Marques Mendes.
Por outro lado, comparou o percurso do candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP com o do eurodeputado da IL, a quem apenas reconheceu bom trabalho nos parlamentos nacional e europeu.
“Ainda ontem, Cotrim Figueiredo dizia que a Presidência não é um prémio de carreira política. Com todo o respeito, qual carreira? Algum de nós conhece uma lei desenhada, negociada e aprovada por Cotrim Figueiredo? Uma reforma defendida e implementada por Cotrim Figueiredo? Uma medida que tenha, de facto, tocado na vida dos portugueses?”, disse, ironizando que até a ex-líder do BE Mariana Mortágua deu nome a um imposto.
Pelo contrário, apontou, Marques Mendes participou num importante processo de revisão constitucional, na liberalização da comunicação social, na criação e promoção da RTP Internacional ou num pacto para a justiça.
“Nós não podemos desperdiçar a oportunidade de colocar esse percurso ao serviço dos portugueses. Não podemos dispersar o nosso voto e perder essa oportunidade. Como eu vos dizia: só muda alguma coisa quem sabe como mudar as coisas”, afirmou.
Bugalho criticou também o candidato Gouveia e Melo, dizendo ter ficado “estupefacto” por ter ouvido de um antigo militar que recusa a possibilidade de Portugal vir a participar em forças de manutenção da paz na Ucrânia depois de um cessar-fogo, considerando que esta é uma atitude “sem coragem” e que isolaria Portugal.
Por outro lado, salientou que o antigo chefe da Armada tem sido contra todas “as reformas apresentadas pelo Governo no último ano”, em áreas como a imigração, nacionalidade ou trabalho, dizendo até que teria aderido à recente greve geral contra as alterações à lei laboral.
“Nós não precisamos de um presidente grevista. Precisamos de um presidente reformista”, defendeu.
O eurodeputado acusou de oportunismo o líder e candidato presidencial apoiado pelo Chega, André Ventura, dizendo que nem sempre este partido se bateu pela defesa na liberdade na Venezuela.
“Se querem um presidente da moderação, ele está aqui. Se querem um presidente que mude o que precisa de ser mudado, ele está aqui”, defendeu.
Antes, o mandatário distrital Calvão da Silva defendeu a concentração de votos em Marques Mendes pela sua integridade, sensibilidade social e experiência política.
“É o candidato que o Presidente da República Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro escolheu para servir em múltiplas pastas e é o candidato que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa escolheu para líder parlamentar e não prescinde de ouvir como conselheiro de Estado”, disse.
No almoço, que decorreu na Instituição Particular de Solidariedade Social Caso dos Pobres, marcou presença o antigo autarca de Coimbra, bem como os atuais presidentes de Câmara de Mira e Cantanhede e o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão.
