Opinião: Viver com “pegada digital” ou não existir
Rui Bebiano Historiador, investigador do CES e autor
Chama-se «pegada digital», ou «eletrónica», ao rasto de dados que deixamos ao usar a Internet. Ela pode ser passiva, composta sobretudo por páginas que visitamos, mails que enviamos e alusões que ali nos são feitas, ou então ativa, incluindo textos e imagens que produzimos e deixamos em «sites», caixas de comentários e redes sociais. Esta «pegada» pode ser usada com objetivos muito diversos, seja para rastrear a atividade de alguém ou para assinalar a sua presença física e virtual. E por muito que isso possa ser lastimável, quem hoje a não possua pode ver bastante reduzida, ou até apagada, a perceção da sua atividade e até a sua existência pessoal, ainda que estas tenham sido notáveis.
Esta realidade replica o que se passou, no curso do tempo histórico, em todos os processos de comunicação humana. Independentemente das caraterísticas e das capacidades das tecnologias que se foram sucedendo – da invenção da escrita à tipografia, do telefone ao computador – eles passaram sempre, em termos das marcas do seu uso que vão ficando, por uma combinação de possibilidades e de vontades. As possibilidades dependem principalmente das condições objetivas que permitem comunicar desta ou daquela forma, através de meios mais ou menos complexos e eficazes. Já as vontades são determinadas pela intervenção pessoal, definindo esta o conteúdo e o momento do que se pretende comunicar aos outros, seja de forma privada ou pública.
A dimensão de vontade é aqui crucial, sobretudo quando resulta de um gesto de «diálogo e prática de liberdade», como se lhe referiu Paulo Freire, sendo particularmente importante como alimento da vida democrática. Ao mesmo tempo, se essa liberdade confere a alguém a possibilidade de comunicar, ele implica também o seu desejo de o não fazer. Esta opção, entre o falar abertamente e a necessidade do silêncio está muito presente nas sociedades contemporâneas, onde a hipercomunicação pode tornar-se sufocante, levando a que muitas pessoas a evitem. O que acontece hoje, de forma notável, com a rejeição da participação na Internet, em particular nas redes sociais.
Ocorre então um paradoxo. Por um lado, recorrendo principalmente a este meio, comunica-se hoje mais que nunca, numa torrente de informação e de opinião sem paralelo no passado. Salvo sob ditaduras, agora quase todos podemos expressar-nos ali sob diferentes formas, dizendo o que pensamos, protestando ou aplaudindo, ou partilhando notícias ou conhecimento. Por outro lado, neste mesmo espaço proliferam a informação sem fundamento e o debate desregulado, esbatendo, num ambiente muitas vezes dominado pelo ruído e pela violência verbal, a diferença entre verdade e mentira, objetividade e subjetividade, argumentação e propaganda, ou urbanidade e injúria. Ampliando, como lembra Max Fisher em «The Chaos Machine», já de 2022, um ambiente caótico e devastador que tende a favorecer ou a legitimar os autoritarismos.
Nestas condições, muitas pessoas com vidas que possuem dimensão pública e requerem comunicação, preferem usar o menos possível a Internet, ou afastar-se de todo das redes, isolando-se atrás de uma parede de silêncio e sem visibilidade. Desta maneira, a sua «pegada digital» vai-se diluindo, enquanto se lhes apagam os vestígios, como já se nota quando as procuramos no Google e pouco ou nada encontramos. A solução está em lidar com o ruído, afirmando uma comunicação substantiva, eficaz, respeitosa e livre.

UNANSWERED QUESTIONS IN THE CASES OF NUNO LOUREIRO AND CLÁUDIO VALENTE: A REQUEST FOR FURTHER REVIEW
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1. Professional Profiles and the Official Narrative
The scientific and academic communities in Portugal and abroad continue to express concern regarding the tragic deaths of Professor Nuno Loureiro and Engineer Cláudio Valente.
Both individuals had long-standing careers marked by:
– professional excellence,
– documented ethical conduct,
– stable academic and mentoring roles,
– and reputations for emotional regulation and pro‑social behavior.
These profiles do not, by themselves, contradict the official narrative — but they do raise legitimate questions about whether all contextual factors surrounding the events were fully examined.
At present, no publicly available information indicates prior psychological instability or behavioral warning signs in either individual.
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2. Forensic and Logistical Questions
Several aspects of the publicly reported information merit clarification:
• Geographic Context
Engineer Valente was professionally based in Miami, while the incident occurred at Brown University in Rhode Island.
Travel between these locations is entirely possible, but the publicly available information does not yet explain:
– the purpose of his presence on campus,
– whether travel records were reviewed,
– or whether his movements prior to the incident were fully reconstructed.
• Identification Conditions
Media reports indicate that available surveillance footage does not provide a fully clear facial identification.
In such cases, standard investigative practice typically includes:
– biometric confirmation,
– cross‑referencing multiple sources of evidence,
– and ensuring that identification is not based solely on partial visual cues.
• Eyewitness Reliability
Eyewitness testimony during high‑stress events — such as active‑shooter situations — is known to be vulnerable to:
– perceptual distortion,
– unconscious transference,
– and post‑event suggestion.
This does not invalidate the testimony, but it underscores the need for corroboration through objective evidence.
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3. Broader Context and Systemic Considerations
This section does not imply wrongdoing by any institution or individual.
Its purpose is to highlight structural factors that may warrant examination in any comprehensive review.
• Professional Pressures
Professor Loureiro worked in a highly competitive scientific field undergoing rapid global development.
Such environments often involve:
– administrative pressures,
– funding competition,
– and complex institutional dynamics.
These factors do not suggest causation, but they may be relevant to understanding the broader context of his professional life.
• Completeness of Investigative Scope
A thorough investigation typically considers:
– workplace context,
– administrative interactions,
– and any external pressures that may have affected the individuals involved.
It is not publicly known whether these dimensions were fully explored.
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4. Conclusion: A Civic Request for Transparency
This report does not seek to challenge the conclusions of the authorities, nor does it propose alternative explanations.
Its purpose is to request clarification, transparency, and a review of any unresolved questions.
Given the international relevance of the individuals involved, and the concerns expressed by members of the scientific community, it may be appropriate for the case files to receive renewed attention.
The goal is not to speculate, but to ensure that:
– the investigation is perceived as complete,
– the families receive full clarity,
– and the public record reflects the highest standards of rigor.
The memory of Nuno Loureiro and Cláudio Valente deserves nothing less.
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