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Opinião: Tudo por causa de uma gota de mel

23 de junho de 2025 às 08 h57
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“Sabes o que é uma bomba, uma bomba dia e noite a explodir-te a cabeça, uma bomba dia e noite a explodir-te o pai, a mãe, a explodir-te os filhos, os avós, os irmãos, uma bomba dia e noite a explodir-te os vizinhos, os amigos, a casa, a rua, o quarteirão, tu sem pão, sem água, sem luz, enterrado na metralha, na dor, nos gritos, no medo, nos escombros empapados de sangue, tu sem poderes ir para lado nenhum, tu sem teres para onde fugir, nem para dentro de ti? Sabes? (…) Isto é Gaza!” (Augusto Batista) Isto é Gaza, Ucrânia, Sudão, Mianmar, Nigéria, Iémen, Síria, República Centro Africana, Somália, Israel, Irão…

Quando estava no fim do secundário participei num teatro intitulado – “Uma gota de mel”. Não me lembro bem do conteúdo do texto nem do autor (numa pesquisa rápida na net encontrei que seria de Léon Chancerel).

Do que ainda consigo recordar, a história começava com um casal que estava à mesa e, entretanto, uma das pessoas deixa cair uma gota de mel no chão e começa uma discussão. A discussão subiu de tom e de argumentos, começaram a envolver-se as famílias, depois as cidades, os países… e chega-se a uma Guerra Mundial. A peça terminava com o narrador, com alguma ironia, a lamentar-se: “E tudo começou com uma gota de mel”. [Talvez alguém conheça outra versão ou esta tenha sido atraiçoada pela minha fraca memória].

Fica a ideia principal e a maior das ironias – todas as grandes tragédias podem começar por causa de uma gota de mel. Por um lado doce, por outro, pequena. Um comentário, uma ‘boca’, um querer mostrar poder, uma hiper-sensibilidade, um egoísmo desmedido, um achar-se melhor do que o outro, um pre-conceito, um gesto de superioridade, uma dificuldade em aceitar a diferença… pode desencadear e explotar agressividade, violência, conflitos…

Talvez várias pessoas já tenham entrado como atores nesta peça ‘Uma gota de mel’. No limite já todos entrámos nesta peça em algum momento. Há guerras longe e grandes, mas também há guerras perto e pequenas… pelo menos por coisas pequenas.
Precisamos de fazedores de paz, de homens e mulheres que se comprometam no diálogo e no perdão, de pontes que derrubem preconceitos… precisamos de políticas e de políticos que promovam a fraternidade e outros valores como o respeito, a generosidade, a partilha, a bondade.

O Papa Leão XIV, que tem insistido na necessidade da paz, disse há poucos dias, ‘A guerra é sempre uma derrota! (…) Nada se perde com a paz. Tudo pode ser perdido com a guerra’. E ainda: ‘A guerra é um horror, a guerra ofende Deus e a humanidade, a guerra não poupa ninguém’. Noutra ocasião, pedindo coragem aos cristãos, disse: ‘Não nos rendemos, rendemo-nos ao Espírito, não nos rendemos ao poder do mundo, mas continuamos a falar de paz a quem quer a guerra, a falar de perdão a quem semeia a vingança, a falar de acolhimento e solidariedade a quem barra a porta e ergue barreiras’.

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