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Opinião: Tecnologia nascida na guerra

26 de junho de 2025 às 09 h30
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O Índice Global da Paz classifica cada país para fornecer uma visão do estado da paz no mundo com base em indicadores do nível de segurança e proteção social, conflitos internos e internacionais em curso e grau de militarização. Em 2025, este índice revela um declínio contínuo da paz mundial, com muitos indicadores mais elevados do que em qualquer outro momento desde a 2.ª Guerra Mundial. Algo que por estes dias nos parece evidente sempre que ouvimos notícias do mundo.

Atravessamos um momento de conflitos e tensões que irão conduzir a mais investimento militar. Com a paz a decrescer – esta é a 12.ª diminuição consecutiva da paz no mundo – existirá impacto no nível da militarização que obriga a um investimento cada vez maior nesta indústria (a própria NATO pretende agora que os aliados invistam 5% do seu PIB em defesa).

Com tudo isto e com os desafios colocados pelas várias guerras, os europeus anunciaram a sua intenção de se rearmar. Há vários anos que a UE procura desenvolver novas competências para fortalecer a base industrial de defesa na Europa com programas destinados a financiar projetos de defesa colaborativos entre os estados-membros, incluindo o Fundo Europeu de Defesa (EDF) e o próximo Programa Industrial de Defesa Europeu (EDIP), ainda em negociação.

Este Fundo Europeu de Defesa financia várias tecnologias ligadas à digitalização na defesa. Nelas se incluem a cibersegurança e a defesa cibernética, visando proteger infraestruturas críticas e redes militares; a IA e o diálogo Humano‑IA; ambientes de simulação e treino digital para capacitação militar virtual; componentes para aplicações na área da defesa; tecnologias quânticas e criptografia. Em 2025 serão cerca de €1,06 mil milhões de financiamento, com vários milhões alocados a projetos de digitalização e tecnologias disruptivas, incluindo financiamento para PME.

Seria interessante pensar que o desenvolvimento de algumas destas tecnologias na área militar contribuirá, no futuro, para a evolução tecnológica no mundo civil. Ao longo dos anos, foram muitas as tecnologias que tiveram origem no mundo militar. Da rede ARPANET, com o objetivo de criar uma rede de comunicação resistente a ataques e que se tornou a base da Internet de hoje, ao GPS, aos drones, aos satélites.

E aos próprios computadores – o ENIAC, o 1.º computador eletrónico de grande escala, foi criado nos Estados Unidos durante a 2.ª Guerra Mundial com o objetivo de apoiar cálculos balísticos para o Exército.

Talvez todo este financiamento contribua para que estas tecnologias evoluam, num contexto menos bom, para um dia ser usada num contexto melhor. E talvez esta seja mesmo a única forma de ver o mundo numa perspetiva de “copo meio-cheio” por estes dias.

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