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Opinião: Somos um país incomodado pelos problemas da lei

25 de julho de 2025 às 16 h46
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Na Cimeira realizada há dias, em que se reuniram os Autarcas da Área Metropolitana de Lisboa, todos tiveram ocasião de falar de coisas boas e de coisas más, houve concordâncias e discordâncias, mas o pretendido foi, sobretudo, que o Poder Central os ouvisse. E, na realidade, o importante e urgente é que o Poder Central entre, conheça por dentro, os reais e sérios problemas que hoje se vivem no País e depois, e sobretudo, saiba lidar com eles na procura da sua solução, para que os portugueses não os olhem com a surpresa estranha de tais situações, mais parecendo ao País que se vive num tempo fora do tempo.

E tudo começou porque a Autarquia de Loures dera ordem para que bairros de barracas fossem destruídos em Loures!…

A minha primeira questão será: Os protagonistas do mercado de construção dizem, e já o afirmaram por várias vezes, que há soluções. Não será de um dia para o outro, mas bastará que exista vontade e coragem política. Por exemplo, o Programa do Governo prevê a existência de parcerias público-privadas no fomento da habitação. Então, o que é urgente é implantar essas parcerias. Mas, para prosseguir um tal Programa, há que ter a coragem de acabar com os benefícios escondidos a não residentes e, prioritariamente, há que resolver o problema de quem está no País a trabalhar.

Há que ter a coragem de esquecer o partidarismo e pensar apenas no bem nacional. A verdade, porém, é que a bolha mediática e o sistema reagem neste momento a tudo e a todos, e a máquina partidária acaba por abafar as respostas desejadas pelo povo português. Passamos o tempo a criticar tudo e todos, numa atitude antidemocrática e os portugueses acabam por ser tratados como pessoas de mentalidade infantil.

Tal como acontece na habitação, coisa semelhante acontece na imigração e na saúde, problemas que nos vão marcar profundamente nos próximos anos se os órgãos de soberania não definirem, com urgência, objectivos a curto, médio e longo prazo, e os executarem logo a seguir, com coragem, com menos burocracias mas com transparência, em conjunto com os demais poderes, associações, privados e partidos políticos da oposição, desde que todos estejam disponíveis para estarem à altura de eleger prioritariamente o interesse nacional.

Todavia, neste momento e de repente, Lisboa fica mergulhada em Loures, à volta e ao de cima na crise de habitação. Enquanto isso, o cidadão comum, informado pelos meios sociais do que até já se chama a construção do “Palácio de Centeno” (projecto, alias, já rejeitado em 2022 ), diz: Mas então o Banco de Portugal tem dinheiro para construir uma nova sede e não tem dinheiro para realojar as pessoas cujas barracas são demolidas? Demagogia e burocracia imperam em primeiro plano e já tudo é uma brincadeira de mau gosto.

Os Governos sucedem-se e muitas vezes as crises não se resolvem porque a dificuldade reside na forma como nos relacionamos uns com os outros. Os partidos funcionam com sentimentos elitistas, vivem para si, fechados sobre si mesmos, não assumem erros que praticam antes os vêem nos outros, não estão prontos para cedências ou para partilhar pontos de vista. Cada qual sente-se perfeito no seu tempo e no seu modo, sempre pronto para insultar ou ridicularizar o poder executivo, directa ou indirectamente. Ninguém aceita ser derrotado e é isto que conduz ao tal elitismo e é também isto que não deixa progredir o País.

Mas, e voltando à a crise da habitação, depois de referir as aquisições por personalidades estrangeiras de luxuosas moradias na Comporta, Melides, Parque das Nações, Príncipe Real, Alfama, etc., Clara Ferreira Alves afirmava na revista “Expresso” “… e ainda dizem que não há casas. Somos o terreno preferido das celebridades. As que nunca vemos nas ruas de Lisboa”.

Autoria de:

Agência Lusa

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