Opinião: “Só avança quem descansa”
É tempo para descansar. Mas o que significa descansar? O que verdadeiramente nos descansa? Como é que as férias nos ajudam a descansar?
Quem nunca chegou de umas férias mais cansado do que foi? Quem nunca pensou trabalhar intensamente quase todo o ano para depois ter umas férias ‘de sonho’ durante 15 dias?
Antigamente em Coimbra, em Agosto, ‘não se passava nada’ e parecia que toda a cidade se deslocava para a Figueira da Foz e Algarve. Talvez não fosse bem assim, mas era o que muitos diziam.
Os ritmos alteraram-se muito e hoje o tempo perde ‘clareza’ e absoluta nitidez. Agosto já não é o único mês de férias, o sol nem sempre brilha todos os dias de verão, as águas do Algarve nem sempre são as mais quentes, as praias marítimas já não são o único destino…
Talvez mais importante do que pensar como viver os 15 dias de férias que me são dados (infelizmente ainda há quem os não tenha), será pensar como ‘descanso’ ao longo do ano, inclusive nas férias.
Somos todos diferentes, mas eu sou dos que descansa quando está com os que mais ama, num ambiente sereno e feliz, descontraído e sem pressas; sou dos que descansa no contacto com a natureza, em caminhadas ou simplesmente a contemplar o horizonte; sou dos que descansa em contacto com a água, por isso, gosto tanto mergulhar numa piscina, num rio ou no mar; sou dos que descansa a rezar, a meditar, a ler, a fazer silêncio e a escutar a minha respiração; sou dos que descansa a ouvir um concerto, a ver um filme, a visitar um museu…
Gosto muito de viajar, de conhecer outros países, de entrar noutras culturas… essa diversidade diz muito da minha pequenez e do quanto devo ser humilde. Ajuda-me a relativizar o que sou, o que vivo e dar valor ao que é verdadeiramente importante.
Não precisamos das férias para descansar, mas precisamos de descansar para vivermos equilibradamente. A vida não pode ser só uma correria, só trabalho, só negócio… É um privilégio que não podemos desperdiçar.
‘Só avança quem descansa’ é o título feliz de um livro do Pe. Vasco Pinto Magalhães. Trata-se de um pequeno estímulo a refletir sobre a sabedoria do tempo e dos tempos.
Temos que aprender a viver descansados em todas as estações do ano e da vida. Temos que aprender a dar tempo e a saborear o que dá sentido maior aos nossos dias… porque bem sabemos que a vida é frágil e passa muito rápido.
Quantas vezes não somos surpreendidos por uma morte prematura? Talvez seja sempre prematura para quem a vive intensamente.
Pode ler a opinião de Nuno Santos na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS


Gosto muito deste texto como de tantos outros. Parabéns P.Nuno por esta partilha sempre oportuna um desafio a fazer caminho….