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Opinião: Presidenciais

16 de janeiro de 2026 às 11 h30

Em Junho deste ano escrevi um artigo, aqui no diário As Beiras, aquando da apresentação da candidatura presidencial de António José Seguro, que não compreendia a desorientação do PS em não apoiar imediatamente um ex-secretário-geral do PS que, durante o seu mandato, venceu eleições autárquicas e europeias. Os apoios chegaram tardios e, talvez, tarde demais. Recordo-me bem de ele ter apresentado (julgo que em 2013 ou 2014) como principal ambição política erradicar a pobreza em Portugal, defendendo a criação de emprego e comprometendo-se especificamente a acabar com a situação dos sem-abrigo no prazo de uma legislatura, caso viesse a ser eleito primeiro-ministro. Entretanto, foi apeado por ter ganho umas eleições por “poucochinho”. A pobreza em Portugal não tem sido tema na campanha presidencial, e na agenda política só “regressou” em 2023 com a aprovação do Plano de Acção da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza. A campanha presidencial gira em torno das sondagens e dos casos, num frenesim diário, por vezes com versões matutinas, vespertinas e nocturnas, o que ajuda a aumentar as fileiras dos indecisos.
Nas sondagens, Seguro tem estado quase sempre na linha da frente para passar à segunda volta, o que para mim é compreensível, para mais agora com o apoio declarado do PS. Gostaria que o mesmo tivesse sucedido a Marques Mendes, e acredito que ele vai passar à segunda volta com Seguro. Desde logo para termos a certeza de que vamos ter uma segunda volta de nível presidencial. Marques Mendes é, para mim que não sou imparcial, o melhor candidato e nele votarei convictamente.
Quem vota em André Ventura resigna-se, conforma-se em votar num candidato que todas as análises e sondagens esclarecem (e o próprio parece desejar) que nunca será presidente da República, pois perderá na 2ª volta para qualquer outro candidato. Quem pretende votar em Ventura não está, por isso, a votar num possível futuro presidente. O mesmo sucede com Cotrim de Figueiredo, apesar de ambos terem mérito nas campanhas modernaças que estão a fazer, ora abafando os casos que os atingem, ora atacando sem fundamento e replicando esses actos nas redes sociais, um mundo de percepções onde prevalecem sobre os demais candidatos.
Marques Mendes tem, desde o início, o apoio do seu partido, o PSD do qual já foi líder. Cotrim de Figueiredo escreve a pedir esse apoio (como se tal fosse possível!), inebriado que está pela subida nas sondagens e que, confessadamente, já o fez perder a cabeça. Gouveia e Melo desce nas intenções de voto cada vez que faz uma declaração. E ainda bem, pois no meu entender, melhor, a minha reflexão sobre a segunda volta prende-se com o futuro de Portugal, sobre a força que uma direita política democrática e estável deve ter para poder reformar Portugal. Só Marques Mendes o conseguirá, uma oportunidade de ouro que a direita não deveria desperdiçar, dividindo-se e abrindo a porta à possibilidade de a esquerda eleger um presidente que já chantageou, traiu e não quis apoiar à primeira.

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