Opinião: Novas descobertas sobre meteoritos!
A 30 de junho, assinala-se sempre o Dia do Asteroide. A data foi escolhida por ter sido a 30 de junho de 1908 que registámos o maior evento criado pela queda de um asteroide, em Tungunska, na Rússia. Curiosamente, o segundo maior evento foi também na Rússia, em Chelyabinsk, a 15 de fevereiro de 2013. Nos filmes os asteroides caem sempre todos no Estados Unidos, mas na verdade caem mais no país com maior área e menos no de menor área. Ou seja, estatisticamente, a sequência é: Rússia, Canada, China, Estados Unido, Brasil, etc. Os dois países onde é menos provável que caia um meteorito são o Mónaco e o Vaticano.
Chamamos de meteoritos aos fragmentos dos asteroides ou meteoroides que atingem o solo. Não esqueçamos que mais de 90% dos asteroides ou meteoroides que entram na atmosfera da Terra vaporizam-se por completo sem que nada atinja o solo, ou seja, são meteoros que não deixam meteoritos.
Na classificação mais simples, há três tipos de meteoritos: os ferrosos (metálicos), os ferro-rochosos e os rochosos. Dentro dos rochosos é comum fazer uma separação em condritos (que têm uns grãos esféricos chamados côndrulos), condritos carbonáceos (para além de terem côndrulos, são ainda ricos em carbono) e acondritos (não têm côndrulos). Há classificações mais complexas, mas não pensemos nisso.
Os meteoritos mais bonitos são os metálicos, pois parecem-se com bocados de um queijo suíço cheio de buracos, mas representam apenas 6% dos meteoritos que caem no solo. Os rochosos são os mais comuns, representando cerca de 85%. O caso particular dos rochosos ricos em carbono (condritos carbonáceos), representa só 4%.
É precisamente na muito pequena quantidade de meteoritos carbonáceos detetados (os tais ricos em carbono) que temos um problema. Os modelos prevêem que mais de metade de todos os asteroides e meteoroides que entram na nossa atmosfera deveriam ser ricos em carbono, pois a maioria dos objetos da Cintura de Asteroides — a região entre Marte e Júpiter com mais 1 300 000 asteroides já identificados — são ricos em carbono. Porque temos então tão poucos meteoritos carbonáceos?
Um estudo liderado por Patrick Shober, do Observatório de Paris, publicado em abril na prestigiada revista Nature Astronomy, parece ter resolvido o problema. Fez também parte da equipa o brilhante Pierra Vernazza, meu colega no Observatório de Paris durante o doutoramento, agora no Laboratório de Astrofísica de Marselha.
Esta equipa analisou quase 8000 impactos de meteoroides e mais de 500 prováveis quedas de meteoritos através de 19 redes globais de observação de meteoros — curiosamente, o Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra também já tem uma câmara ligada a essas redes — e demonstrou que temos poucos porque são poucos os que sobrevivem e não porque são poucos os que nos atingem. Ou seja, é um problema de seleção. Os asteroides e meteoroides carbonáceos resistem menos aos fortes ciclos térmicos, quando nas suas órbitas passam mais perto do Sol, fragmentando-se mais, e resistem também menos às fortes pressões e temperaturas a que estão sujeitos quando entram na nossa atmosfera a altas velocidades, raramente chegando algum fragmento ainda inteiro ao solo. No fundo, é como entrar numa pastelaria mesmo antes de fechar, não ver nenhum bolo decente e achar que eles não fazem bolos que prestem. Eles fizeram, só que não sobreviveram à gulosice até ao fim do dia.

Exemplos dos três grandes tipos de meteoritos. Créditos: Museu de História Natural, Londres.
