Opinião: Não vote pelo medo, mas pela razão!
Aqui há uns anos, um “maduro” entendeu que deveria brincar à filosofia – com a conivência do seu Professor e Mestre – respondendo a uma pergunta de um examinador, com as 3 proposições de Górgias de Leontino, filósofo grego, que viveu lá pelo século V antes de Cristo.
“Primeiro, nada existe; segundo, mesmo que existisse alguma coisa, não podemos conhecê-la; terceiro; concedido que algo existe e que o poderemos conhecer, não o podemos comunicar aos outros”.
É preciso ser descarado…ou não!
Não sei se algum dia o próprio estaria disposto a tomar a sério as suas 3 proposições. Nem é isso que interessa para alguma coisa…aqui e agora!
No entanto, conhecidas que são, muitos acham que vale a pena tornar séria uma discussão à sua volta, dado que nos é permitido e estimulam a reflectir seriamente.
Será estranho perguntar se algum de nós um dia não terá colocado também as questões a si próprio como mero exercício de livre pensamento? Não me parece. Porque ao longo da existência de cada um, os factos vividos determinam sempre opiniões, opções e decisões.
Aceitando as proposições como verdadeiras, o comum cidadão manteria a seriedade da vida, ou desapareceria e tudo perderia o seu valor?
Passados cerca de 2000 anos, René Descartes, meditou profundamente sobre a questão. Com ele, aprendemos que nos enganamos frequentemente, porque os nossos sentidos assim nos transportam. Como pensar então, que afinal não estamos a sonhar?
Muitos filósofos que acompanharam o seu pensamento, examinando-o, dizem que Descartes, apesar de “cogito, ergo sum – “penso, logo existo”, – confundiu o “conteúdo do pensamento e o pensante”, porque todos sabemos que, para existir um pensamento deverá existir alguém que pensa. Então, todas as verdades se tornam duvidosas!
O pensamento próprio é a essência da liberdade.
Mas afinal, o que significa ser livre?
É livre, quem consegue pensar de forma autónoma e agir conforme os juízos de sua consciência, e não agir de forma subordinada ao pensamento de outrem.
Essa condição de autonomia se alcança pelo exercício do pensamento filosófico.
Sócrates afirmou, “só sei que nada sei”. Mas um “outro” de forma ainda mais profunda e sem nenhuma explicação filosófica, porque também não se assumia como tal, respondeu, num qualquer século, “e eu, nem isso sei”.
E assim chegaremos, passadas tantas décadas, ao dia 8 de Fevereiro de 2026!

