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Opinião: Marta, Maria e a melhor parte

21 de julho de 2025 às 09 h13

A história da nossa vida contada por Marta e Maria. O evangelista Lucas, que seria médico, conta-nos a história de duas irmãs que viviam na mesma casa, mas eram muito diferentes (Lc 10, 38-42 ).

Marta andava sempre inquieta, atarefada, agitada e preocupada com as coisas, com o que tinha para fazer. Maria era mais calma, mais introvertida, mais de escutar do que de falar, mais de acolher do que de fazer.

Jesus era muito amigo desta família de irmãos – Marta, Maria e Lázaro. Ia com frequência a esta casa, em Betânia (a cerca de 8 Km de Jerusalém), para uma refeição ou para simplesmente ‘estar com’.

Numa das suas visitas a esta família, que Lucas registou, encontramos a Marta a abrir a porta, mas depois ficou presa a todas as suas tarefas, à sua agenda… escrava das suas azáfamas. Hoje diríamos presa aos mail’s, às mensagens, às redes sociais, aos likes… mas o maior problema é ficar apenas na agitação e nas preocupações.

Maria estava sentada ao pé de Jesus a ouvir, sem pressas. Maria sabia que o primeiro grande serviço é precisamente escutar. Mais do que fazer e antes de fazer – aprender a estar. Estar com quem estamos e a estar (inteiro) no que fazemos. É difícil dar tempo, mas todas as relações profundas vivem da escuta.

A certa altura Marta vai fazer ‘queixinhas’ a Jesus: “Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me”. Esta frase diz muito. Não fala diretamente e discretamente com Maria a pedir ajuda, só se queixa e só vê da sua perspetiva. E quem ficaria com Jesus? Inveja? Ciúme? Mal disposta com a vida?

A resposta de Jesus foi, uma vez mais, desconcertante: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”. Não era a única parte, mas era a melhor. Maria escolheu a melhor parte.

Cada um de nós pode ter dentro de si um pouco de Marta e de Maria. Em certa medida é preciso Fazer (Marta) e Estar (Maria); agir e contemplar. Mas a questão é o que pomos em primeiro lugar.

Esta passagem bíblica fala-nos da necessidade de dar mais valor às pessoas do que às coisas, priorizar o essencial do supérfluo, o permanente do ilusório, o eterno do efémero. O que Jesus criticou não foi o fazer de Marta, mas a agitação.

Que o tempo de férias ou os dias mais calmos, nos possam ajudar a ‘realinhar’ as nossas prioridades.

Escolher a melhor parte é também ter tempo para a leitura, a oração, a contemplação, a meditação… e para o encontro com Jesus. Sentar-se e escutar. Ouvir o que Deus nos tem para dizer.

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