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Opinião: Fantástico assustador velho mundo novo novamente!

03 de junho de 2025 às 09 h16
1 comentário(s)

Agora que as contas eleitorais estão, por agora, feitas é altura de falar de “empresas familiares”, designação pueril dada a algo que nunca deveria ter acontecido assim.

Independentemente da escala ética o assunto está validado. Fechado e validado. Politicamente, eleitoralmente, judicialmente.
Não se passa nada e não há nada a refletir.

Será assim? Sabemos todos que não! e brevemente pagará o justo pelo pecador e a vida estará difícil para os mexilhões.
Era isto expectável? Dir-se-á que sim.

César, sempre ele, o Júlio que não o Mourão, tem aqui duas frases lapidares.
A primeira, óbvia, importante, a da mulher: não basta ser, é preciso parecer (e saber em que contexto ele a criou e utilizou).
A segunda, também dele e que ainda não sabemos se é um elogio ou uma crítica: “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar.”

Dito isto, porque razão esperaríamos outra avaliação de quem vota, dos nossos concidadãos, dos nossos iguais, daqueles a quem , como diz alguém que prezo, “os intelectuais da cidade grande que hoje chamam “estúpido” ao povo são os mesmos que apregoam em todas as ruas que este é quem mais ordena”, relativamente a uma prática criticável, duvidosa, legal, claro, mas eticamente discutível.

Diariamente esses nossos concidadãos não assistem a que na pretensa elite, que é a Academia, existam conselhos gerais que, legalmente, vão subvertendo, alegadamente, as regras que estiveram no espírito do legislador?
Não vão tendo notícia, mais ou menos remota, de colégios eleitorais que funcionam em bloco e se orquestram para levar ao colo este ou aquele candidato? Não ouvem que há até quem fique, por exemplo estudante ou membro profissional, somente para preencher estas quotas? Por exemplo, quem acumule cursos, licenciaturas, doutoramentos, somente para poder arregimentar votos (mais uma vez na boa tradição romana) que depois cobra fazendo-se nomear para os cargos mais relevantes distribuindo bónus e prémios mesmo que seja à mesa de um café.

E isto, sublinha-se, na elite das elites. Na Academia que, titulam os jornais, é endogâmica, protege os seus, protege os filhos dos pais dos avôs avariando qualquer elevador anunciado…

E na comunicação social, tão critica, tão azeda, por vezes tão ignorante que não verifica que, criticando as relações de proximidade existente entre políticos, entre empresários, não vê nem denuncia a relação de proximidade de jornalistas, de agências, de editores, de accionistas que permite com um simples telefonema contaminar toda a informação publicável. A é mulher de B que é primo de C. e lá vamos nós parar à Biblia: “Por que reparas tu no cisco que está na vista do teu semelhante, e não vês a trave que está nos teus próprios olhos?”.
Dito isto, teremos nós escala para ter uma escala ética?
Queremos todos acreditar que sim.
Que é possível.

Mas não somos nós o País em que o Presidente do Conselho destituído há 51 anos era cunhado do Presidente da Assembleia Constituinte de há 50 anos?

Não somos nós o País do Caso Gémeas e do Bispo que afirma “cunhas que salvam crianças não fazem mal a ninguém”?
Não nos transforma isto numa enorme suspeição de “famiglia”? Sim, leu bem: no sentido de Famiglia napolitana.
Acreditemos, no entanto, que “atrás de uma tempestade costuma vir a bonança. Lutaremos por ela… e pela mudança.

Autoria de:

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1 Comentário

  1. Nuno Peixinho diz:

    Muito bom!

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