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Opinião: Entorno do Crime

05 de julho de 2025 às 13 h42
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Vem um tipo e assalta-me, agride-me, violenta a minha condução, viola um familiar e estou perante a emotividade reactiva a um gatilho violento. A justiça faz-se com as mãos e de modo imediato, se a lei for a da minha força contra a dele e eu ganhar. A questão do crime envolve um entorno, um conjunto de dados. A larga maioria dos crimes são cometidos dentro da família. A violência doméstica tem uma associação significativa com o alcoolismo, a droga, e a patologia do ciúme (filho direto da insegurança). Uma percentagem importante dos crimes familiares foram mal avaliados, ou mal decidida a contenção após sua referência por vítimas. Ou seja, o sistema social e policial tem poucos mecanismos de conter o potencial agressor, ou aparar a vítima. Também pode ser só negligente. Não sei, mas desconfio pela enormidade do “deixa andar”, que reconheço nos serviços públicos de hoje.
O crime é um produto da miséria moral e financeira. É um produto da má educação. É um filho da baixa cultura. Se formos mais longe, a alimentação tem importância nas decisões e reatividade das pessoas. Excesso de carne, abuso de álcool, açúcar indiscriminado têm impacto na inteligência, pela importância oxidativa e inflamatória que condicionam. A família na preparação dos filhos para a frustração, a dificuldade, o “não!”, é de inegável importância. A doença mental é outro problema associado à criminalidade. As pessoas que têm dificuldade em definir a sua parede celular, o seu lugar no tecido social, invadem o espaço do outro, abusam da sua pressão sobre o vizinho, são acutilantes, excessivamente agressivos na retórica e isso fermenta as quezílias. Incluímos os que pensam que são perseguidos, os que neurologicamente estão demenciados, os que sofrem de compulsões. Todas estas pessoas cometem ilicitudes e podem acabar condenadas a cárceres.
O bairro onde se nasce e a influência do meio sobre a nossa personalidade é incontestável também. O crime é uma consequência de uma multitude de factores. Importante saber-se que o analfabetismo condiciona limitações que levam a alguns ilícitos, como conduzir sem carta de condução (sem saber ler não se passa nos testes). Depois, para adensar a questão, vem a necessidade de debater o que é crime. Qual é o bem jurídico que se ofende, ou se ataca, para construir um ilícito? Quais são os bens jurídicos e como se definem? Todos os crimes devem levar a condenações de privação de liberdade? Um condenado por crimes violentos, repetidamente, tem de ser encarado de modo diferente que o vigarista, o mentiroso. Temos de construir uma forma mais criativa de punir, em vez de levar toda a gente para as cadeias.
Nesta perspectiva, não podemos deixar de fora todas as ideias e discutir sem preconceitos. A castração química pode fazer sentido? Pode. A obrigatoriedade de tratamento em psiquiatria faz sentido? Claro que sim. A contenção com mecanismos de vigilância e alertas tecnológicos pode impedir crimes? Obviamente. A deslocação forçada é útil? Com certeza que o pepino fora do caldeirão, não se coze.

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