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Opinião: Certezas europeias e a diarreia legislativa

05 de dezembro de 2025 às 12 h13
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As certezas europeias e a diarreia legislativa conduziram-nos ao princípio da má fé. Preciso de um anti hipertensor na noite de Madrid. Fui ver o futebol e esqueci-me dos medicamentos. Vou à farmácia e pedem-me receita. Não tendo receita, mostre algo que comprove a maleita. Esclareço que só quero evitar um enfarte ou um AVC porque sou hipertenso e venho ver o apaixonante futebol. Não podem vender sem receita. Mas estamos no domínio do incompreensível! Ninguém se droga com captopril. Ninguém se mata com amlodipina. Ninguém se excita com furosemida.
– Só com receita!
– E se morro porque me falta medicação?
– Só com receita! Vá ao hospital!
– Mas eu sei o que tomo. Eu conheço os medicamentos que preciso.
A lei não permite a venda de uma caixa de anti hipertensor. A lei não permite que compre o medicamento da próstata.
– Só com receita!
Esta é a Europa que me desagrada. Este é o fascismo legislativo que os cidadãos deviam impedir retirando confiança a estes personagens que fazem leis acéfalas.
– Só com receita!
– Não é um negócio. Afirmo em pedido de apoio.
– É só uma caixa até voltar a Portugal. Não precisa ser mais que dois medicamentos. Só com receita! Posso ficar de boca ao lado, hemiparesico. Não importa. A lei é dura, mas é para cumprir, senão surgem penalizações e multas.
O jogo pode enervar-me, mas isto muito mais. Legislação canalha.
O princípio da boa fé foi um modo de viver, um aperto de mão entre cavalheiros. Hoje a perversão e a acusação fácil retiram conforto a coisas fáceis e colocam em risco os cidadãos por uma irracionalidade de formalizações, sem estudo algum que as justifique.

Pode ler a opinião de Diogo Cabrita na edição impressa e digital de hoje, 05/12/2025, do Diário As Beiras

 

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