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Opinião: As políticas sociais

27 de março de 2025 às 11 h35

Vivemos horas complicadas no mundo, com as guerras à nossa porta, seja a que separa a Ucrânia e a Rússia, seja a que não deixando os palestinianos terem o seu próprio estado torna-os vítimas de um genocídio que ninguém parece capaz de parar ou até de querer parar. Vejo o secretário-geral da ONU atarantado com as favas que lhe saíram no bolo, seguramente inesperadas quando tomou posse.

Mas hoje vou falar de quem parece querer entrar na história, seguramente não pelos melhores motivos, exatamente ao contrário de António Guterres.
Primeiro, refiro-me a Mark Rutte, historiador, professor e político que atualmente acrescenta a este currículo o de secretário-geral da Nato. Militante do Partido para a Liberdade e Democracia foi durante 14 anos Primeiro-ministro dos Países Baixos . O seu partido, um dos maiores do país, bebe na fonte das doutrinas liberais.

No seu afã de bem cumprir o papel de divulgador da venda de armas, Mark Rutte propôs aos cidadãos dos países da Nato a missão de “fazerem sacrifícios”, como cortes nas suas pensões, na saúde, em troca do aumento das despesas com a defesa.

António Costa, presidente do Conselho Europeu, e cujo desempenho no cargo não tem sido brilhante -em minha opinião- veio rebater a ideia afirmando que não é esse o melhor argumento para convencer os cidadãos a fazerem sacrifícios para sustentarem a defesa. Assim como quem diz vamos lá encontrar um argumento melhor que este não engana ninguém.

É verdade que não se fala de Educação, mas não custa a perceber que virá no próximo pacote, arrastado por umas mãos cheias de tanques ou de um pacote de armas feitas algures e vendidas pelos Estados Unidos aos países da Europa.

Confesso que vi poucas reações a esta ideia, seja porque ela não foi divulgada quanto necessário, seja porque o estado acomodatício dos cidadãos aceita como normal o que não o deveria ser.

Mas para que o quadro de ataque às políticas sociais fique quase completo -e aqui vem a segunda personagem- nos Estados Unidos o Presidente Donald Trump resolveu encerrar o Departamento Federal de Educação, atingindo sobretudo os alunos com necessidades educativas especiais, a quem a federação dava particular atenção nos últimos anos. A Educação passa agora a ser da competência dos estados, uma vez que Trump considera o Departamento como esbanjador e “possuído da ideologia liberal”. Para o empresário Trump, vai ali um desperdício de dinheiro, o mesmo se passando nas universidades onde espera que os cortes não demorem destruindo nichos de investigação estimáveis e que se têm mantido ao longo dos anos.
Não esqueçamos as ameaças às políticas de igualdade e de inclusão e aos emigrantes que, neste momento, esgotaram as prisões, falando-se na brutalidade de 46.000 encarcerados.

E assim estamos, entre armas e delapidação das políticas sociais que agora começam a ser vistas como para usar e deitar fora. Imaginemos o que poderá ser para os nossos filhos e netos este espaço onde astronautas ficam presos meses no espaço por falha no sistema de os fazer regressas à terra. Seguramente que não ficamos muito orgulhosos da obra que deixamos.

Antes de encerrar a crónica, alguma coisa interessante para os professores em Portugal. No nosso torrão estamos em fase de abertura dos concursos para professores, o que não tem nada a ver com esta ideia dos cortes. É altura de se poderem fixar milhares de docentes, depois de uma demorada e complexa negociação com os sindicatos de professores. Diz a comunicação social que o Presidente da República promulgou o decreto que alarga a todos os docentes deslocados o regime de compensação, ainda que o tenha feito com dúvidas sobre a sua eficácia. Serão 5.600 beneficiários da medida.

Isto, claro, se o SG da Nato não tiver também oportunidade de aconselhar nessa matéria.

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