Opinião: Água voltou à sua casa
1 A importância da gestão de pessoas é a garantia de que se equilibra a relação entre elas. Imaginemos um paquete cheio de turistas onde a definição de comportamentos está ausente. É a selva.
Uns com os telefones em alta voz. Outros a ouvir música das aplicações no bar onde sepultam o som da orquestra. Ainda os que furam qualquer fila.
Surgem os que ocupam cadeiras, que não usam durante o dia inteiro, mas marcam num requinte de egoísmo. Os regulamentos, a vigilância associada, são necessários para impedir a selvajaria. Tenho a ideia que a educação familiar foi faltando e reduzindo -se até valores incontáveis ou inacreditáveis. Os meninos baixam a cabeça em direcção à comida. Comem como os cães. Os talheres andam no ar como maestros a dirigir orquestras. Evitam -se os reparos, falham advertências. No mundo futuro haverá câmaras e vigilantes a interpretar os sinais de perigo, a antecipar a violência que o prevaricador desperta no inocente.
Seria necessário este caminho se as famílias não tivessem faltado à sua missão? Penso que não.
Mas a realidade esmaga os sonhos e por essa razão a reorganização do colectivo contra o egoísmo obriga a legislar sobre a minudência.
Numa diarreia de formalismo obrigamos a melhorar as posturas, multamos a bizarria para reformular o tecido social.
2 O Mondego veio reconquistar os leitos de cheia e demonstrar com violência a sua prova de vida. No meio de toda esta tragédia encontro alguma anormalidade na reconstrução do parque verde sem ter equacionado a altura que os antigos pensaram para o parque Manuel Braga. De novo, esse não alagou. Porque será que a sustentabilidade do que se construiu há muito tempo vem sempre revelar a menoridade dos devaneios dos delapidadores do dinheiro público.
3 Lembrem-se agora de uma realidade. Tudo se processa em sequência e tudo tem consequências.
A água voltou à sua casa. Os diques eram levezinhos. Os inertes arrastados retiram força a estruturas como estradas. As chuvas continuas levam a derrocadas. Se vier vento as árvores suportadas em lamas, tombam. Os ratos dos campos vão ter de aparecer nalgum lado e querem comida. Tudo, na vida sem regulação é previsível e tem consequências.
Pode ler a opinião de Diogo Cabrita na edição impressa e digital de hoje (13/02/2026) do DIÁRIO AS BEIRAS
