Opinião: A ditadura em Moçambique
Em Moçambique, o Povo cansado de 50 anos de ditadura da Frelimo permanece há quase dois meses na rua, sem armas, pão e água, a dar o peito às balas para reivindicar o direito à verdade eleitoral de 9 de outubro. E já não quer o regime. Mas de onde vêm as balas que fomentam este poder de desordem, tortura e violência?
Exemplos são muitos para este espaço tão pequeno. O mais recente aconteceu na passada quinta-feira, quando a Polícia de Moçambique (PRM) matou a tiro um jovem jornalista por estar a filmar mulheres e crianças a serem atacadas pela polícia nas suas casas, em Ressano Garcia, junto à fronteira com a África do Sul.
A câmara mostrou a estrada vazia de pessoas àquela hora da noite enquanto a polícia, em veículos blindados, varria as casas dos moradores com gás lacrimogéneo. O jovem jornalista, pai de uma filha pequena e muitos sonhos, registou o tiroteio desenfreado da polícia em direto nas redes sociais, gritando, à distância, que “naquelas casas há crianças”.
Foi de imediato baleado. A câmara do telemóvel gravou o impacto da bala. A imagem escureceu, o jornalista tombou, mas a cambalear continuou a gravar, chamando por “socorro, Joe”. E já no chão, com a voz ofegante encostada ao alcatrão da estrada ainda disse: “Pessoal, levei tiro, eles continuam a disparar, fui alvejado, f***se estou a morrer, pessoal”. E nesse momento, um segundo tiro, já de muito perto, silenciou-lhe a voz para sempre.
Se havia dúvidas de quem está a fomentar a violência, aqui fica o registo. O jovem moçambicano, conhecido por “Shottas”, foi assassinado pela Polícia do seu país por fazer uma “live” na rede social Facebook, mostrando ao Mundo as atrocidades do regime de ditadura da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) a quem o Portugal socialista entregou o poder, sem referendo nem eleições, em 1974.
Este jovem moçambicano não tem dupla nacionalidade e acesso à saúde pública do SNS, em Portugal, como os governantes da Frelimo e respetivas famílias endinheiradas.
A nova geração de moçambicanos, altamente educada, ética, e apartidária, considera que só terá paz, bem estar e estabilidade quando o regime repressivo da Frelimo sair do poder, porque desde a Frelimo de Samora Machel à Frelimo de Filipe Nyusi, a organização tem sido a mesma. De que lado está hoje Portugal e os portugueses?

