Opinião: A digitalização e os seus efeitos
O mundo desmaterializado da Internet impacta na poluição digital ou numérica. Com efeito, aquela está muito longe de ser virtual na íntegra, graças ao facto de se apoiar numa estrutura, de certa forma física, feita em redes de cabos, data centers e os servidores que a apoiam. Sabe-se que na França, os data centers consomem 10% da eletricidade do país.
Desta maneira, enviar um e-mail, utilizar os motores de busca ou armazenar dados é uma nova forma de poluição, e certamente, daqui a 4 anos, a poluição digital representará 3 a 4% das emissões de dióxido de carbono.
Tipos de efeitos da digitalização sobre o lixo e poluição digital:
1 – Fazer uma pesquisa no Google emite o equivalente a 5 a 7 gramas de CO2.
2 – O custo em carbono de um e-mail com um anexo de 1 Mo é de 19 gramas de CO2, de acordo com a ADEME. Tudo isso parecer pouco significativo, mas, se levarmos em consideração o total do fluxo de e-mails no mundo, a situação revela ter outra dimensão, bastante mais grave, porque, em uma hora, mais de doze bilhões de e-mails são enviados, representando mais de 4 000 toneladas de petróleo.
3 – Uma das principais formas de poluição digital é a chamada “poluição latente”. Esse tipo de poluição é, em grande parte, devido ao armazenamento de e-mails. Sabe-se ainda muito pouco de como um e-mail conservado numa caixa de e-mail faz funcionar, ininterruptamente, os inúmeros servidores nos data centers. No entanto, os data centers são grandes consumidores de energia e precisam estar permanentemente e adequadamente climatizados.
Desse modo, o armazenamento de dados faz funcionar o equivalente a cinco centrais nucleares no mundo! E isso é só o início… De facto, o volume de dados armazenados dobra a cada dois anos.
Fonte: https://www.cleanfox.io/blog/poluicao-digital/a-poluicao-digital-ou-numerica-o-que-e/
Segundo a mesma fonte, observavam-se os seguintes números de poluição digital, em 2017:
Os efeitos da poluição digital em 2017
• Se a internet fosse um país, seria o 5º consumidor mundial de eletricidade;
• 2,5 bilhões de pessoas conectadas à internet em 2017 = 51% da população mundial + 60% até 2019;
• O consumo das TIC (Tecnologias da informação e da comunicação) = 10% da produção de eletricidade mundial = 13,5 % do consumo elétrico francês;
• 15 % das unidades centrais nunca estão desligadas incluindo o período da noite e os finais de semana;
• 29 milhões de internautas franceses = 287 600 toneladas de CO2/ano o que equivale a 1,5 milhões de km de carro;
• Assistir um filme em streaming é mais poluente que fabricar um DVD Streaming = 63% das atividades na internet;
• 215 bilhões de e-mails trocados num dia no mundo (sem contar com os spams);
• 10 bilhões de e-mails trocados por hora = produção de 15 centrais nucleares durante 1 hora = 4 000 idas e voltas de Paris a Nova Iorque de avião.
Numa sociedade em que o uso das tecnologias é cada vez maior, é importante ganhar consciência que todos os utilizadores das inúmeras ferramentas digitais estão a contribuir regularmente para a poluição digital. Apesar de tudo isto, Francisco Ferreira, da Associação Ambientalista Zero, reconhece que o conceito de poluição digital ainda é pouco conhecido, que ainda é difícil quantificar de forma rigorosa este tipo de poluição. Explica, no entanto, que a poluição digital está associada aos consumos de eletricidade para manter ligados, por exemplo, os servidores e computadores, acrescida da frequente substituição de telemóveis, tablets e computadores. Isto demonstra que grande parte desta poluição está ligada ao aumento da eletricidade.
É ainda difícil reconhecer economicamente aquilo que é a poluição digital, dado existir a perceção que entre aquilo que se poupa através do digital, por exemplo, recorrendo ao teletrabalho, em vez de se utilizar o automóvel, em termos de consumo de energia não significa, comparando a poluição vs uso de computadores e tecnologia, que se passa de 100 para zero efeitos. O que revela, em resumo, que não há almoços grátis. A tecnologia viabiliza à sociedade um estilo de vida, hoje considerado indeclinável, tendo, não obstante, um custo que se traduz na necessidade de maiores consumos de energia para alimentar, na sua globalidade, o mundo digital.
A poluição digital refere-se à pegada de carbono inerente a toda a atividade digital. Tudo o que hoje os indivíduos fazem na internet de forma instantânea, consciente ou inconscientemente, resulta em pegada de carbono. Infere-se daqui que, à medida que a digitalização e a transformação digital são executadas e desenvolvidas em todo o mundo, a poluição exponencia-se, aumentando, em contrapartida, as imposições sobre as empresas tecnológicas no sentido de reverterem a sua dependência de combustíveis fósseis e preferirem a utilização de energias renováveis.
Em síntese, poluição digital ou numérica integra todas as fontes de poluição ambiental produzidas por ferramentas digitais, quer associadas à fabricação de instrumentos digitais quer ao funcionamento da internet. O setor digital, atualmente, está sob pressão, devido ao seu impacto em termos de poluição digital. Começa, por isso, a ser desacreditado em termos de compromisso ecológico, apesar de os múltiplos atores digitais promoverem e aconselharem ativamente a criação de energias renováveis, pelo menos em termos retórica sofista.


