Coimbra

Incêndios: Comandante sub-regional de Coimbra desconhece negócios ou atos ilícitos

18 de junho de 2026 às 21 h15
Carlos Luís Tavares | Fotografia: Arquivo - Ana Catarina Ferreira

O comandante sub-regional de Coimbra da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) negou hoje, no Parlamento, ter conhecimento de qualquer negócio ou atos ilícitos relacionados com os incêndios florestais e rejeitou influências ao nível do comando.

Questionado na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais sobre se alguma vez recebeu informação formal ou informal sobre alegados interesses económicos associados ao combate aos incêndios, à contratação de meios aéreos ou à venda de madeira ardida, Carlos Luís Tavares respondeu que a ANEPC não efetua contratação pública e que se tivesse conhecimento de atos ilícitos os denunciava.

Quando a deputada socialista Rosa Cruz lhe perguntou se “os alegados negócios dos incêndios constituem fatores explicativos da sua ocorrência ou criam incentivos reais à sua ignição”, o comandante sub-regional de Coimbra disse que não tem “nada de base que possa dizer que isso acontece”.

“O que posso transmitir é que quando falamos em negócios do fogo isso mexe connosco [operacionais], porque damos tudo no terreno e há quem perca a vida nos meios aéreos e em combate e depois, para quem tanto trabalha, ouvir falar em negócios custa-nos muito”, frisou.

Confrontado pelo deputado Nuno Simões de Melo, do Chega, que falou da existência de negócios relacionados com os fogos, “alguns que deram processos em tribunal diretamente relacionados com o aluguer de meios aéreos e o caso das golas antifogo”, Carlos Luís Tavares voltou a reiterar que desconhece a sua existência.

Falando dos meios áreos, Nuno Simões de Melo lamentou que a nível nacional existam apenas dois meios aéreos pesados e questionou se “interessará [a Portugal] não ter meios aéreos”, tendo o comandante sub-regional de Coimbra reconhecido que os dois Cannadair que o país possui “são muito poucos”.

“Alugados ou comprados, deveríamos ter reforço neste tipo de meio aéreo. Acho que deveríamos investir na compra para não andar constantemente a alugar”, salientou.

Na resposta ao deputado João Santos, do PSD, que questionou as motivações dos incendiários, Carlos Luís Tavares respondeu que, pelas informações da Polícia Judiciária, das detenções existentes “nunca nenhuma teve a ver com qualquer tipo de negócios”.

“Não tenho nada que relacione o incendiarismo a outro qualquer negócio”, disse, reconhecendo que é muito difícil investigar as causas dos incêndios, apesar do trabalho minucioso das autoridades.

Nas respostas às questões finais dos três deputados, Carlos Luís Tavares defendeu mais investimento na prevenção, sem descurar o combate, e considerou o programa Aldeias Seguras “dos melhores” que conheceu desde 2017, lamentando que tenha sido descredibilizado pela polémica das golas antifogo.

“Este é o programa que tem salvo pessoas, que devemos implementar no território, porque defende as pessoas e a própria aldeia”, disse o comandante, considerando que não morreu “mais gente em 2025 porque efetivamente implementámos este programa”.

Sobre o SIRESP, Carlos Luís Tavares disse que é a melhor rede de comunicações que conheceu até à atualidade, embora reconheça vulnerabilidades, nomeadamente as zonas sombras, que têm sido corrigidas.

Já no final da sua intervenção, considerou a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), criada em 2018, “uma mão cheia de nada”, que, ao nível da prevenção, “fez zero”.

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